O sem-fim da guirlanda, do Natal e da agricultura

Coluna Evaristo

• Um dos símbolos mais generalizados do Natal é a guirlanda. Deve ser colocada no batente da porta de entrada da casa para abençoar quem por ali passar. Ela anuncia para o exterior, para quem passa do lado de fora da casa, o envolvimento daquele lar no espírito de Natal.

• A base da guirlanda é feita com dois vegetais diferentes entrelaçados, evocando o mistério do Verbo Divino ou o entrelaçamento do divino com o humano, do Deus que se fez carne e habitou entre nós.

• Na Europa e nos Estados Unidos, os ramos de árvores e arbustos resistentes à neve de inverno do Hemisfério Norte costumam ser usados como base da guirlanda. Em geral são pinheiros ou ciprestes entrelaçados a azevinhos, por este uso chamados, em inglês, de common holly ou English holly (folhas verdes e frutinhos vermelhos) ou variegated holly (folhas verde-brancas e frutinhos vermelhos), nome derivado de Espírito Santo (em inglês, Holy Ghost ou Holy Spirit).

• No Brasil, no verão do Hemisfério Sul, a base das guirlandas é feita de cipós, bambus e galhos finos de tuias, ciprestes ou ramos de folhas de araucárias. Eventualmente podem ser usados ramos da nossa erva-mate (Ilex paraguaiensis), espécie da mesma família do azevinho (Ilex aquifolium), cultivada sobretudo na região Sul.

• Sinos, guizos, pinhas e demais enfeites de Natal completam a guirlanda. Três bolas coloridas ou três guizos/sinos pendurados juntos evocam a Trindade e são comuns nas guirlandas. Tradicionalmente as cores das fitas estão associadas aos presentes dos Reis Magos para o Menino Jesus: ouro (dourado, simbolizando a realeza do recém-nascido), incenso (vermelho ou roxo, representando o amor divino) e mirra (verde ou branco, evocando a energia vital).

• O formato da guirlanda é circular e evoca a letra Ó, aquela da Nossa Senhora do Ó, ou dos “Ohs” de Nossa Senhora parturiente, prestes a dar à luz a Luz do Mundo, Jesus. Este ó é um Ó grande, um Ó mega, o Ômega, última letra do alfabeto grego. Durante as semanas finais do tempo do Advento, cantam-se nas igrejas, sobretudo em Minas Gerais, os polifônicos motetos do Ó.

• O círculo da guirlanda, sem começo nem fim, também simboliza o Infinito. Através de Jesus, Deus habita entre nós para sempre. Da mesma forma, o amor dos cristãos a Deus e ao próximo não deve ter fim. Também não tem fim o círculo solar.

• Este círculo solar é o tempo do solstício de verão, para o Hemisfério Sul, para honra e glória da fotossíntese! A data do solstício, 21 de dezembro, está associada à do Natal, 25 de dezembro, mas os dias são diferentes, pois a coincidência seria paganismo demais!

• A guirlanda, a coroa do Advento, as coroas de flores, todas significam vitória. Nomes como Estéfano, Estevão e Stefane, por exemplo, vêm do grego stephanos, coroa, e evocam uma vitória, um coroamento. Com o sacrifício do primeiro mártir do Cristianismo, Santo Estevão, ela passou a significar a coroa do martírio ou do testemunho (At 7,54-60).

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