A França pode dispensar a soja brasileira?

• No dia 12 de janeiro de 2021, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez duas postagens seguidas em seu Twitter oficial: “Continuar a depender da soja brasileira seria caucionar o desmatamento na Amazônia” e “Nós somos coerentes com nossas ambições ecológicas, estamos lutando para produzir soja na Europa”.

• Segundo nota do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), “o Brasil detém domínio tecnológico para dobrar a atual produção com sustentabilidade, seja em áreas já utilizadas, seja recuperando pastagens degradadas, não necessitando de novas áreas. E o presidente Macron mostra completo desconhecimento sobre o processo de cultivo”, levando “desinformação a seus compatriotas”.

• Hoje, no Brasil, cerca de 10% da soja é produzida nas bordas do bioma Amazônia. Essas áreas de cultivo de soja, somadas, correspondem a 1,3% do bioma Amazônia. Todas estão mapeadas e são monitoradas, certificadas e fiscalizadas desde 2008, quando foi consolidada a Moratória da Soja, estabelecida em 24 de julho de 2006.

• Confira a resposta da ABIOVE à provocação do presidente francês no link https://abiove.org.br/abiove-na-midia/abiove-fala-sobre-posicionamento-de-macron/. E veja também a nota do MAPA, no link https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/nota-oficial-sustentabilidade-da-soja-brasileira.

• Leia mais sobre a Moratória da Soja no relatório do 12º ano de vigência, disponível no link https://abiove.org.br/relatorios/moratoria-da-soja-relatorio-12o-ano/.

• A produção de grãos no Brasil aumenta, ano a ano, graças ao uso de tecnologias inovadoras e sustentáveis, apropriadas para o clima tropical. O aumento é de produtividade e não se deve à abertura de novas áreas de cultivo. Na maior parte das lavouras brasileiras de grãos são colhidas duas a três safras por ano, o que é impossível na França, onde o inverno limita qualquer cultura a uma colheita por ano.

• Em números redondos, a União Europeia importa cerca de 13 milhões de toneladas de soja por ano do Brasil, dos quais aproximadamente 5 milhões se destinam à França. O total de soja brasileira exportado em 2020 foi ligeiramente superior a 83 milhões de toneladas.

• Na França, a soja importada do Brasil destina-se principalmente à alimentação de animais (87%), substituindo rações feitas com restos de abatedouros, associadas à doença da “vaca louca” ou enecefalopatia espongiforme bovina (BSE). Metade da soja brasileira consumida na França é para alimentar aves, na produção de carne e ovos.

• Saiba mais sobre a doença da vaca louca e a necessidade de eliminar rações com ingredientes à base de restos de animais, no link https://pt.wikipedia.org/wiki/Encefalopatia_espongiforme_bovina.

• O cultivo de soja na Europa não é comum. Na França, a maior parte das lavouras fica na região Sudoeste, onde o aumento do preço dos adubos nitrogenados levou muitos produtores a trocarem o milho pela soja, ambos irrigados.

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