Agricultura beneficia a pastagem e a pastagem beneficia a agricultura

•Uma frase tornou-se bastante comum na mídia: “O Brasil não precisa derrubar uma árvore sequer para ampliar as áreas de agricultura, basta usar as pastagens degradadas”. É uma visão um tanto simplista. Sobretudo porque é difícil a agricultura moderna aproveitar pastagens degradadas em encostas de morros ou em solos muito depauperados.
•Tal visão também deixa a entender que a agricultura brasileira está crescendo derrubando florestas, o que não é verdade. Nos últimos 45 anos, a produção agropecuária brasileira aumentou cerca de 370% enquanto a área cultivada, só ampliou 28%. E nem todos esses 28% foram em cima de áreas florestais, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
•O Brasil já vem aumentando sua produção agrícola sem ocupar novas áreas há décadas graças a tecnologias e inovações, ou seja, o crescimento é em produtividade, com intensificação: mais safras por ano, mais toneladas por hectare, mais cuidados com o solo, menos perdas, mais eficiência na armazenagem etc.
•Em diversas regiões do país, em muitos casos, os produtores conseguem colher duas safras de grãos – soja e milho, por exemplo – e, em seguida, fazem o plantio direto de braquiária, de modo a garantir uma terceira “safra” de leite ou carne. Não há antagonismo tão acentuado entre pecuária e agricultura. A pastagem beneficia a lavoura e a lavoura beneficia a pastagem. Nos sistemas de Integração Lavoura Pecuária (ILP) ou Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), já se faz agricultura e pecuária, no mesmo campo, no mesmo ano.
Saiba mais sobre os sistemas de integração no portal da Embrapa, no link https://www.embrapa.br/busca-de-solucoes-tecnologicas/-/produto-servico/1055/sistema-integracao-lavoura-pecuaria
•Graças à intensificação da produção, no Brasil, todo ano diminui a área total dedicada à pastagem, mas o rebanho continua a crescer. De acordo com os censos agropecuários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há 30 anos, o país registrava aproximadamente 200 milhões de hectares de pastagens e tinha 160 milhões de bois. Hoje é o inverso: ao redor de 160 milhões de hectares de pastagens e 200 milhões de bois. É mais gado em menos área!
•Segundo estimativas feitas com base na produtividade por hectare, apenas entre 1990 e 2015, o Brasil evitou o desmatamento de 200 a 230 milhões de hectares graças aos avanços tecnológicos.
•Leia o artigo sobre o desmatamento evitado, escrito pelo engenheiro agrônomo Maurício Palma Nogueira, diretor do Athenagro e organizador do Rally da Pecuária, no link https://publique.com/pecuaria-autoconhecimento-e-desafios-por-mauricio-palma-nogueira/
•Confira também o artigo "A revolução silenciosa da pecuária", publicado em 4 de janeiro de 2021, sobre a discrepância entre o aumento da produtividade da pecuária brasileira e os dados divulgados por alguns estudos baseados em imagens georreferenciadas. No link: https://summitagro.estadao.com.br/agro-no-brasil/colunistas/a-revolucao-silenciosa-da-pecuaria/

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