Semear no equinócio de outono aumenta risco do milho safrinha

 
•As chuvas nas regiões tropicais são um relógio. Na zona intertropical chove no verão. A estação seca é o inverno. Seja qual for o índice pluviométrico local. O clima tropical é muito previsível.
•No Brasil, o máximo das chuvas começa em dezembro, abaixo do Trópico de Capricórnio, entre Rio Grande do Sul e Paraná. E então esse pico das chuvas estivais se desloca em direção ao norte. Entre janeiro e fevereiro cruza o Trópico de Capricórnio, na altura da capital de São Paulo, no norte do Paraná e sul de Mato Grosso do Sul. No Brasil Central, o auge das chuvas ocorre em março.
•Apenas em parte do Nordeste, as chuvas têm seu máximo na transição para abril.
•O equinócio de outono ocorreu em 20 de março. Agora, por 6 meses, o sol estará a pino no Hemisfério Norte. O outono, com dias cada vez mais curtos, trará a queda progressiva das temperaturas, frentes frias potentes e redução dos índices de chuva.
•O trabalho no campo fica um pouco menos intenso, a safra principal de grãos já foi colhida. Em 2020, o plantio da soja sofreu atrasos. Para complicar, o excesso de chuvas em fevereiro dificultou a colheita. Com a demora da soja no campo, a janela de semeadura do milho safrinha se deslocou para março, quando deveria se estender de janeiro até, no máximo, meados de fevereiro. Em muitos casos, a semeadura só ocorreu perto do equinócio, mais para o fim do mês de março.
•Com isso, aumenta o risco de falta de chuvas no momento crítico da floração e da formação dos grãos de milho. Ainda assim, os agricultores plantaram tudo o que foi possível. Se der certo e os riscos forem superados, é plantio de milho para garantir uma safra de 82 a 84 milhões de toneladas!
•A principal razão é a oportunidade econômica: a alta do grão em Chicago (EUA), a forte demanda mundo afora, o câmbio favorável à exportação, a perspectiva de boa rentabilidade. Cerca de 50% deste milho safrinha já está vendido. Talvez o país atinja 38 a 39 milhões de toneladas de exportação, um novo recorde!
•Veja as perspectivas de plantio do milho safrinha 2021 no link https://agronewsbrasil.com.br/plantio-da-2a-safra-de-milho-deve-ir-ate-mes-de-marco-afirma-agroconsult/ 
•E confira os riscos do atraso no plantio do milho safrinha no link https://www.urthecast.com/o-alongamento-do-ciclo-da-soja-e-os-riscos-para-o-milho-safrinha/ 
•Numa agricultura dependente de chuvas, os produtores precisam recorrer à tecnologia. E é o caso contra os riscos do milho safrinha com o plantio de variedades de ciclo curto, menos exigentes em água; com uma semeadura rápida, feita em boas condições, graças ao maquinário moderno; sem qualquer perda de água por escoamento superficial, graças à conservação de solo e ao plantio direto; com excelente armazenamento da água no solo, devido à aeração e à à estrutura favorável e, sobretudo, graças à abundância de matéria orgânica; com menos perdas por evaporação, graças à cobertura morta sobre os solos e assim por diante. Quem cuida bem da palhada e de seus solos colherá vantagens. Já vimos isso muitas vezes. É tão certo quanto as mudanças de estações.

Compartilhar

Deixe seu comentário