Exportações verde-amarelas e o azul argentino

•Na semana passada a mídia deu pouco destaque ao recorde das exportações do agronegócio do Brasil, anunciado pelo MAPA para o mês de abril: US$ 13.6 bilhões.

•Pela primeira vez, o Brasil superou a marca dos 10 bilhões de dólares, desde o início da série histórica em 1997. Foram 39% a mais em relação ao registrado em abril de 2020. Como sempre, foram decisivos nesse resultado: soja, carnes e produtos florestais.

•A soja garantiu mais da metade desse resultado com uma receita de US$ 7.2 bilhões em abril, um aumento de 43,10% comparado a abril de 2020. Isso não foi só resultado da valorização da soja no mercado internacional. A receita da exportação da soja também resultou de um recorde mensal em termos de volume, com a exportação de 17.4 milhões de toneladas.

•O faturamento do setor de carnes foi recorde em abril. A carne bovina gerou receita de US$ 705 milhões, a carne de frango US$ 598 milhões e de suínos US$ 230 milhões.

•O valor recorde exportado de carne bovina em abril deveu-se ao incremento de exportações para os Estados Unidos (+ US$ 46,36 milhões); Chile (+ US$ 22,50 milhões); Filipinas (+ US$ 20,49 milhões); China (+ US$ 20,31 milhões) e Hong Kong (+ US$ 14,25 milhões).

•Em termos relativos, a maior expansão coube à carne suína (+41%), vindo a seguir a carne bovina (perto de 18% a mais) e, por fim, a carne de frango, com aumento de 15%.

•No acumulado do 1º quadrimestre, as exportações do agronegócio totalizaram US$ 36.8 bilhões, o equivalente a 44,90% do total das exportações brasileiras, segundo o MAPA.

Leia mais sobre esse desempenho das exportações do agro nas informações do Ministério da Agricultura em: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/brasil-ultrapassa-us-10-bilhoes-em-produtos-do-agronegocio-em-abril

•A Argentina, que é o quinto maior exportador do mundo, atrás do Brasil, Austrália, EUA e Índia, suspendeu na semana passada as exportações de carne bovina por um mês. O Governo espera conter com essa medida drástica o aumento de 65,3% em um ano no preço da carne no mercado interno.

•A medida afeta frigoríficos brasileiros como Minerva Foods e Marfrig, situados entre os maiores exportadores do país. Essas empresas devem atenuar os impactos da suspensão em seus contratos externos compensando com novas exportações de países onde atuam como Uruguai, Brasil, Paraguai e Colômbia.

Saiba mais sobre esse novo tango argentino em: https://economia.uol.com.br/noticias/afp/2021/05/18/argentina-suspende-exportacoes-de-carne-bovina-por-30-dias.htm

•Em 2006, a mesma medida levou ao fechamento de 138 frigoríficos, deixaram a atividade cerca de 30.000 pecuaristas, perderam 10 milhões de cabeças e mercados que custaram a ser conquistados. Como disseram as lideranças do agro argentino: é tropeçar com a mesma pedra.

Veja também a manifestação dos atores argentinos do agro na mídia em: https://www.perfil.com/noticias/agro/cordoba-tambien-critica-al-gobierno-nacional-por-el-cierre-de-exportaciones-de-carne.phtml

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