Solstício de inverno marca as festas da entressafra

● Dia 21 de junho marca o solstício de inverno no Hemisfério Sul (e o de verão no Hemisfério Norte). O período mágico das festividades juninas, tão animadas em todo o país, está centrado nesse solstício. O campo invade a cidade. É tempo de entressafra e o rural é celebrado pelo urbano.

● O sol nasce sempre a Leste, mas cada vez mais em direção ao Norte, durante o outono. Em dado momento, o sol para nesse movimento aparente. Ele estaciona, como evoca a etimologia de solstício: sol sistere, sol estaciona, não se mexe. O sol estaciona no dia do solstício. E, no dia seguinte, começa a “voltar”, em direção ao Sul. O 21 de junho é o dia mais curto e a noite mais longa do ano, no Hemisfério Sul.

Leia mais sobre o solstício no artigo do físico Leonardo S.F. dos Santos, no link http://www.sbfisica.org.br/v1/portalpion/index.php/artigos/337-o-que-e-solsticio 

● A projeção do caminho do sol, no chão, “traça” o paralelo conhecido como Trópico de Câncer, situado a 23 graus e 27 minutos de Latitude Norte. Aqui, bem baixo na abóbada celeste, ao meio-dia, pessoas, edifícios e postes projetarão as sombras mais longas do ano, em direção ao Sul. Basta observar. O sol penetrará pelas janelas voltadas à face Norte. Seus raios iluminarão ao máximo o interior das casas.

● Para os antigos gregos, a beleza dos céus estava na precisão matemática desses ciclos celestes. Da beleza do cosmos, deriva a palavra cosmética. Com a passagem do solstício do inverno, a luz retorna. Inexoravelmente. Os dias durarão cada vez mais.

● O tempo do solstício de inverno está associado ao fim das colheitas, ao desfrute dos resultados do suado e árduo trabalho no campo. Apesar de grandes diferenças territoriais, num país imenso como o Brasil, até junho encerraram-se as colheitas de soja, milho, arroz, feijão, laranja, amendoim, algodão e outras. Mais de 270 milhões de toneladas de grãos e de 30 milhões de toneladas de tubérculos. E, na entressafra, ainda dá tempo de colher pinhões da araucária, no Sul e em regiões de montanhas.

● No Brasil, desde o século XVI, os evangelizadores jesuítas associaram as festas joaninas do solstício de verão (na Europa) às colheitas indígenas. Eles adaptaram as festividades ao nosso solstício de inverno (o oposto da Europa). Nas festas juninas, a agricultura alcança o mundo urbano. O campo invade a cidade e nela planta arraiais e quermesses.

● A base da culinária junina são as plantas nativas (milho, amendoim, batata doce...). Degusta-se milho verde, assado e cozido, pipoca, pamonha, curau, mungunzá, canjica, cuscuz, bolo de fubá, além da batata-doce (cozida ou assada nas brasas das fogueiras), o doce de batata-doce, o amendoim, o pé de moleque e a paçoca. No Sul e parte do Sudeste, o pinhão está presente, com o vinho quente, o chocolate e o quentão.

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