No agro, vacinação é competitividade


    • O dia 6 de julho marca o aniversário mundial do êxito da vacina antirrábica. Nesse dia, em 1885, na França, Louis Pasteur testou a vacinação no tratamento contra a raiva em humanos, socorrendo um menino de 9 anos, mordido 14 vezes por um cachorro louco. Joseph Meister foi o primeiro ser humano imunizado contra a raiva. Ele sobreviveu à doença, até então fatal, e mais tarde até se tornou funcionário do Instituto Pasteur de Paris, como porteiro. Leia sobre a vida de Louis Pasteur no link https://pt.wikipedia.org/wiki/Louis_Pasteur
    • Em 2021, neste dia mundial da vacina, o Brasil deixa evidente uma fragilidade: sua alta dependência de insumos importados da China para fabricar vacinas, dado o sucateamento de laboratórios e fábricas de imunizantes para uso do SUS.
    • Na década de 1980, o Brasil tinha pelo menos cinco institutos capazes de produzir vacinas e garantia a grande maioria dos próprios insumos. Hoje tem apenas dois: Manguinhos da Fiocruz e o Instituto Butantan. Das 17 vacinas produzidas para a imunização de crianças e adultos, só quatro são totalmente fabricadas no país e não dependem da importação dos respectivos Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFA).
    • Se o Brasil importa a maioria das vacinas usadas pelo SUS, mais de 90% das vacinas para bovinos e bubalinos são fabricadas no país, segundo o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).
    • São cerca de 30 fábricas de diversas vacinas veterinárias, usadas de bovinos a animais de companhia (pets). O setor farmacêutico veterinário fatura cerca de R$ 6,5 bilhões/ano e ajuda o Brasil a ser o líder mundial na exportação de carne bovina, saudável e segura. Para mais de 90% das vacinas voltadas a bovinos, o ciclo completo de produção ocorre em território brasileiro. Confira reportagem sobre as vacinas brasileiras no link https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56171059
    • Hoje, o Brasil importa cerca de 90% dos insumos imunobiológicos. Das sete vacinas fornecidas pelo Instituto Butantan, só a da gripe é fabricada inteiramente no Brasil. E das 10 vacinas fornecidas pela Fiocruz, só 4 não dependem da importação de IFA.
    • No caminho inverso, o setor privado de vacinas veterinárias sobreviveu à abertura de mercado da década de 1990 e escapou, em parte, das exigências da Anvisa. A liberação de vacinas e medicamentos para uso animal é regulamentada pelo Ministério da Agricultura. E os produtores rurais garantem o amplo mercado privado das vacinas para gado, suínos e aves, enquanto o maior comprador de vacinas humanas é o Governo Federal.
    • Um grande parque tecnológico industrial foi estruturado, a partir da produção de vacina contra febre aftosa. Há 30 anos, o país é autossuficiente nas principais vacinas veterinárias e até as exporta para a América do Sul. Para o agro, vacinação é sinônimo de competividade e sustentabilidade. Lembrando: na etimologia de vacina está a palavra vaca, pois as primeiras vacinas contra varíola foram desenvolvidas com imunizantes produzidos pelos bovinos.

Compartilhar

Deixe seu comentário