Mês de agosto é tempo de queimadas

• O mês de agosto, em grande parte do Brasil, é o auge da estação seca. O monitoramento orbital de incêndios e queimadas, há décadas, é realizado por diversos satélites, em sua maioria norte-americanos. O sistema atual de referência internacional para monitorar queimadas e incêndios tem como base o satélite AQUA M-T da NASA. A detecção dos pontos de calor ou fogos ativos é distribuída, em tempo quase real, no Fire Information for Resource Management System. No Brasil, esses dados são oferecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) no Programa Queimadas. Sobre o monitoramento orbital do fogo na NASA e no INPE, ver: https://firms.modaps.eosdis.nasa.gov/ https://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/portal

• Nesta primeira quinzena de agosto, na América do Sul, foram detectados 30.874 focos de fogo ativos. Praticamente o dobro do registrado ao longo de todo o mês de julho passado (15.985). Mais um atestado de que mês de agosto é mesmo o tempo de queimadas.


• No Brasil, a primeira quinzena de agosto registrou 20.756 focos de fogo ativos, um valor bem inferior ao registrado em 2020 no mesmo período (25.180). De primeiro de janeiro a 16 de agosto de 2021 houve redução significativa com relação ao mesmo período no ano anterior no Brasil (-9%), sobretudo nos biomas Amazônia (-17%) e Pantanal (-84). Sobre essa dinâmica dos pontos de fogo, ver: https://queimadas.dgi.inpe.br/queimadas/portal-static/situacao-atual/

• A queimada é uma tecnologia agrícola. O produtor decide a hora e o lugar de queimar, de forma controlada e desejada. Ele faz isso para renovar pastagens, combater carrapatos, eliminar a palha da cana de açúcar na colheita, diminuir resíduos vegetais acumulados etc. Nenhum agricultor queima por malvadeza. O uso do fogo na agricultura é uma prática do Neolítico, herdada essencialmente dos índios (coivara). Sobre incêndios e queimadas ver: https://revistaoeste.com/revista/edicao-73/julho-com-queimadas-e-sem-incendios/#comment-102087
• A Embrapa dispõe de tecnologias agrícolas modernas para substituir com vantagens agronômicas e ambientais a prática das queimadas em qualquer sistema de produção. A adoção dessas tecnologias exige recursos financeiros, formação e assistência técnica.

• As queimadas têm solução e deveriam ser progressivamente eliminadas da agropecuária. Isso não ocorrerá por decreto. Todo ano, governantes proíbem o uso do fogo em diversos estados durante o inverno. E seguem ocorrendo dezenas de milhares de queimadas. Para reduzir as queimadas são necessários investimentos em máquinas e equipamentos, em cercas, silos, técnicas de manejo pecuário etc., sobretudo para os pequenos agricultores. E por vários anos. Ou se moderniza a agricultura, ou não haverá redução de queimadas.

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