DÁ PARA ENTENDER O DESMATAMENTO NA AMAZÔNIA?

Para isso, é preciso quantificar e qualificar esse desmatamento. A quantificação ocorre há três décadas. A qualificação deixa muito a desejar. A preocupação parece ser unicamente ou a da condenação ou da defesa do ocorrido. Poucos, entre condenar e justificar, buscam compreender. Na busca dessa compreensão trabalha a Embrapa.
Sobre a quantificação anual, de julho a julho de cada biênio, há 33 anos o INPE realiza o mapeamento do desmatamento da Amazônia, com base em imagens do satélite Landsat, no Projeto Prodes.

O número final do desmatamento ocorrido em 2020, anunciado em outubro do mesmo ano, foi fechado no final do primeiro semestre de 2021. Curiosamente, o número final demonstrou uma pequena diminuição no desmatamento entre 2019 e 2020.

O primeiro passo para o entendimento do processo de desmatamento está na sua dinâmica temporal. Em 33 anos, a média anual desmatada na Amazônia foi de 13.868 km2. Nos últimos 20 anos, a média caiu para 11.858 km2. E nos últimos 10 anos, caiu ainda mais, para 7.185 km2.

A segunda informação vem da relação entre agricultores e o desmatamento. Para isso, é necessário saber quantos desmatamentos ocorrem por ano na Amazônia. Ou seja, o número anunciado é o resultado da soma de quantos desmatamentos individuais mapeados no bioma Amazônia? A Embrapa Territorial quantifica, há 11 anos, todos os desmatamentos mapeados pelo Projeto Prodes na região. A média tem sido de 31.400 desmatamentos por ano. Alguns anos mais (40.000) e outros menos (20.000).

A terceira informação vem da análise da localização territorial desses desmatamentos. Cerca de 10 a 12% desses desmatamentos ocorrem todo o ano fora do mundo rural, em áreas indígenas, unidades de conservação, periferia de áreas urbanas e de infraestruturas etc.
Quarto elemento de qualificação: existem na Amazônia mais de um milhão de produtores rurais, segundo estudo com os dados de registro de imóveis rurais no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e dos estabelecimentos agropecuários levantados pelo Censo Agropecuário de 2017 do IBGE. Mesmo na hipótese maximalista de que cada um dos 28.000 desmatamentos ocorridos tivesse sido realizado por um agricultor diferente, mais 97% dos produtores rurais não participam desse processo.

O último considerando é sobre a criminalização simplista do desmatamento e dos produtores rurais amazônicos. Só o Governo levou e instalou na Amazônia nas últimas décadas, em mais de 2.300 assentamentos de reforma agrária, cerca de meio milhão de famílias. Mais da metade dos produtores rurais da Amazônia ainda não recebeu o título de sua propriedade. Eles não têm como solicitar a autorização para desmatar parte de seus lotes, mesmo se têm direito legal para isso pelo Código Florestal. Precisam comer e viver e desmatam pequenas roças. A imensa maioria dos desmatamentos são pequenas áreas. A grande maioria desses desmatamentos é irregular.


Acompanhe a coluna do Chefe-geral da Embrapa Territorial,Evaristo de Miranda !

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