Produzir é preciso

• O agro brasileiro tem mostrado e demonstrado, como nunca antes na história deste país, o quanto é sustentável. Graças à incorporação de novas tecnologias e ao desenvolvimento de novos sistemas de produção, as safras brasileiras de grãos, fibras e bioenergia não param de crescer. Três pilares sustentam esse crescimento constante: os ganhos de produtividade, a intensificação no uso das terras e os sistemas integrados de produção.

• A combinação de uma mecanização cada vez mais sofisticada e precisa, capaz de trabalhar em janelas temporais mais curtas, a expansão do plantio direto na palha e a disponibilidade de variedades produtivas de ciclo curto permitem em diversas regiões do país dois cultivos sucessivos no mesmo ano, na mesma área. Nas estatísticas agrícolas de vários locais, ao somarem-se as áreas cultivadas com milho e soja obtém-se uma superfície maior do que a do município. E não há erro. Apenas intensificação temporal no uso das terras com duas e até três colheitas no mesmo ano, no mesmo local. Algo impensável na América do Norte ou na Europa, em climas temperados. Possível na agricultura tropical tecnificada.


• Em muitos casos ocorre também uma integração adicional da produção vegetal com a pecuária. Depois da produção vegetal, vem uma “colheita” de carne e leite, decorrente de um último aproveitamento do local como pastagem. Por exemplo, após a soja plantada na primavera, semeia-se o milho com braquiária. Depois da colheita do milho, a pecuária se beneficia dos resíduos do milho e do crescimento da braquiária plantada. E retribui na fertilização dos campos com o esterco. Há mais de uma dezena de formas de integração diferentes entre lavouras e pecuária, sempre evoluindo e gerando benefícios. O próprio beneficiamento das colheitas de soja, milho e algodão, por exemplo, gera resíduos, hoje dirigidos à utilização na alimentação de animais em confinamento. Não é apenas uma reciclagem, é o chamado upcycling: criam-se novas atividades, empregos e riqueza. Muitos resíduos como palhadas e do processamento agroindustrial, como a vinhaça e as tortas de filtro no caso do beneficiamento da cana de açúcar, retornam aos campos e fertilizam os solos. A economia circular, com zero lixo ou resíduos, é uma realidade já presente na agropecuária brasileira.

• Cada vez mais, sustentabilidade é sinônimo de rentabilidade e o resultado do uso de tecnologias modernas. São tecnologias poupadoras de terra. Evitam desmatamentos. A intensificação no uso das terras é temporal e espacial. Com isso, a produção agropecuária cresce no sentido vertical. E não depende mais do aumento de área plantada, no sentido horizontal, cujo preço é o desmatamento.

Compartilhar

Deixe seu comentário