A crise da extensão rural

  • Dia 6 de dezembro é a data nacional comemorativa da extensão rural e do extensionista. Não há muito a comemorar. A extensão rural é um serviço público gratuito e representa um elo de ligação entre a pesquisa agropecuária e o setor produtivo, o agricultor, e em particular, os mais pobres.
  • Os extensionistas rurais, em geral agrônomos, engenheiros e técnicos agrícolas, cumprem um papel relevante junto aos agricultores familiares, pobres e marginalizados. Eles levam às comunidades rurais desde conhecimentos básicos de gestão e administração financeira (técnicas de contabilidade e gestão, como obter empréstimos em bancos, como ter acesso a políticas públicas voltadas aos pequenos agricultores etc.) até conhecimentos técnicos na área de agricultura sobre sementes, plantio, tratos culturais, controle de pragas e doenças, gestão da fertilidade dos solos, mecanização, pós-colheita, cuidados com o meio ambiente, armazenagem etc.
  • O tema do associativismo, da organização de pequenas cooperativas e de novas formas coletivas de adquirir insumos agrícolas e de beneficiar e comercializar a produção agropecuária também fazem parte do trabalho dos extensionistas. Eles trazem informações e procedimentos para ajudar o pequeno agricultor a administrar sua terra, seu orçamento doméstico e sua renda e a criar uma independência econômica relativa de seu empreendimento.
  • As ações da extensão rural são eminentemente de caráter educativo e visam o melhoramento da produção e da renda e, consequentemente, da qualidade de vida da família rural.
  • Formalmente, a extensão rural teve início no Brasil na década de 1950, com a criação institucional nos estados de entidades chamadas associações de crédito e assistência rural (ACAR), na época coordenadas pela Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural (ABCAR).
  • Assim como ocorre no mundo urbano, as empresas de equipamentos e insumos agrícolas criaram e ampliaram seus serviços de assistência técnica. Muitas startups surgiram oferecendo diversos serviços ao mundo rural. Paralelamente, os produtores rurais também ganharam mais autonomia, passaram a constituir e a contratar seus próprios serviços de assistência técnica e extensão rural por meio de associações e muitas organizações não governamentais.
  • Ainda assim, regiões de agricultura pobre e pouco tecnificada seguem precisando cronicamente de extensão rural e assistência técnica pública, principalmente no Nordeste e na Amazônia. Vive-se de crise em crise nesse tema tão relevante para os agricultores pobres. Com poucos recursos, extensionistas ainda atuam no meio rural fazendo de sua profissão um verdadeiro sacerdócio. Neste dia nacional da extensão rural e do extensionista, infelizmente, não há muito a comemorar.

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