É tempo de folias de reis

• Em Portugal, as Folias de Reis tinham como principal finalidade de divertir o povo e relembrar a peregrinação dos Reis Magos até a cidade de Belém para adorar o Menino-Deus. No Brasil, a partir do século XVIII, a festividade passou a ter um caráter mais religioso com características próprias e muita ruralidade.

• Os ritos dessa festa rural vêm de longe e seus versos foram preservados de geração em geração, pela tradição oral. São dramatizadas passagens bíblicas do nascimento de Jesus, da visitação dos Reis Magos e da fuga da Sagrada Família para o Egito. Os foliões caracterizam-se como os personagens de suas imaginativas histórias bíblicas. Os coloridos palhaços fazem acrobacias e teriam originalmente a função de distrair os soldados do Herodes enquanto a Sagrada Família fugia para o Egito. Hoje, os palhaços barbados representam os soldados do Herodes, figurado de forma monstruosa etc. E tudo comandado por um Mestre, com a bandeira dos Santos Reis e seu grupo de músicos. A criatividade é grande e os grupos são espontâneos e até caóticos em suas apresentações. E tudo faz parte do patrimônio imaterial da cultura brasileira.

• No Brasil é assim: os Reis Magos é quem ganham presentes. Nesse ritual da visitação às casas, ao contrário dos Reis Magos da tradição evangélica, o objetivo não é o de entregar presentes, mas recebê-los. Tudo em nome dos Santos Reis. A Folia em muitos casos é organizada para agradecer uma graça atendida ou desejada. Estes presentes são dados pelo dono da casa, sítio ou fazenda visitada: dinheiro para a manutenção do grupo, bebidas e comidas natalinas.

• As diversas formas das Folias de Reis apresentam muita variedade mas mantém componentes imutáveis. Sempre têm um Mestre, chefe respeitado dos foliões que decide as vestimentas, o roteiro, as músicas de sua autoria, a bandeira, a disciplina, a guarda dos donativos e a festa. Na canção de chegada, é o líder quem pede permissão ao dono da casa para entrar. Na canção da despedida, ele costuma agradecer a acolhida e se despedir do “burro manco de um olho só”. Vai entender...

• As Folias de Reis vêm sendo resgatadas em diversos municípios do Brasil e logo conseguem ampla participação popular, inclusive em ambientes urbanos. Já são setenta encontros nacionais de Folias de Reis, numa vitalidade típica do interior e com a seiva do mundo rural. Se você tiver a sorte da bandeira dos Santos Reis bater à sua porta, abra sua casa e acolha esses foliões, com suas danças e cantos sagrados e profanos. Não lhes negue comida, bebida, nem prendas adequadas. Como nas comemorações natalinas e juninas, mais uma vez, o campo invade as cidades e as casas, não só com a agricultura, mas também com toda a sonoridade de sua agrocultura.

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