Controle biológico de pragas e doenças


                                                 As vantagens das vespas “feitas em casa”

-           A principal característica do controle integrado de pragas – feito com bioinseticidas, biofungicidas, parasitas, parasitoides, patógenos, predadores e antagonistas – é matar apenas a praga ou o agente causador de doenças e não afetar nem outros insetos ou ácaro, nem animais domésticos ou silvestres, nem humanos. E muito menos o meio ambiente.

-           Por esta razão, a identificação de agentes biológicos para uso nas lavouras é fundamental. Mas também é preciso saber como lidar com aquele agente: onde e como ele deve ser criado, como pode ser transportado, em que momento deve ser solto, como deve ser solto para o máximo de eficiência. Os produtores passam do agente químico, que em grandes linhas exige cuidados na manipulação para evitar contaminações dos trabalhadores e do ambiente, para um agente vivo, que não pode pegar excesso de calor ou frio, tem um prazo curto para agir, precisa ser criado com cuidado, manipulado com cuidado, solto em condições adequadas e assim por diante.

-           Essa migração do químico para o biológico exigiu adaptações inimagináveis no campo, a ponto de muitos produtores rurais passarem a entender de insetos, ácaros, fungos, vírus e bactérias praticamente como mestrandos ou doutorandos, mesmo sem ter cursado as disciplinas básicas na academia.

-           A eficácia de alguns agentes biológicos, hoje amplamente utilizados no Brasil, levou, inclusive, à instalação de biofábricas nas fazendas ou nas usinas de beneficiamento, como é o caso da produção de vespinhas Cotesia flavipes para combate da broca-da-cana (Diatraea saccharalis ou D. flavipennella). Algumas biofábricas instaladas em usinas de São Paulo, produzem mais de um milhão dessas vespinhas por dia!

-           A vespinha ataca as lagartas antes que elas penetrem nos colmos da cana-de-açúcar, onde os antigos agentes químicos mal conseguiam alcançá-la. Para isso, precisam ser soltas nos canaviais no momento certo e no lugar adequado, daí a importância de ter as vespinhas à mão quando for a hora de tratar a cana (razão da opção pela “fabricação” própria de vespinhas).

-           Algumas biofábricas localizadas fora da área de produção desenvolveram embalagens de papelão para enviar as vespinhas por correio, na fase pupa (um pouco antes de virarem adultas). Chegando no canavial, é só quebrar as embalagens no picote e colocar no chão. As vespinhas já terão se transformado em adultas e sairão voando atrás das lagartas-praga!

-           Leia reportagem de Liana John sobre biofábricas no link http://www.camirim.com.br/index.php?pageId=adminGetFileContent&fieldName=content&docId=637

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