Casca de coco: do lixo a produto de luxo


-           Chegar à Economia Circular é meta de muitos países desenvolvidos, onde os três Rs (Reciclar, Reutilizar e Reduzir) já fazem parte do cotidiano dos cidadãos. Na Economia Circular, os resíduos são transformados em novos produtos e novos materiais com o máximo de eficiência e o mínimo de desperdício. Em lugar de reciclagem, o que se faz é upcycle, ou seja, o resíduo é reaproveitado de modo sustentável e transformado em um novo produto, de qualidade equivalente ao produto feito com materiais virgens, porém com novos usos, com economia de água, energia, redução de emissão de carbono etc.

-           A Economia Circular sai do ciclo “extrair, transformar, usar e descartar” para um círculo fechado, em que uma nova transformação sempre ocorre após o uso e o descarte tende a ser eliminado. Para mais detalhes sobre o conceito de Economia Circular, veja o link: http://conexaoplaneta.com.br/blog/e-hora-de-apostar-na-economia-circular-2/

-           De modo geral, os exemplos mais conhecidos de Economia Circular são urbanos, associados à recuperação de eletro-eletrônicos ou materiais nobres de produtos com logística reversa estabelecida, como o aço (ou seja, produtos que costumam ser recolhidos pelos fabricantes por força de lei ou porque sua reciclagem é economicamente vantajosa). Mas no Brasil começam a surgir bons exemplos de Economia Circular também na agroindústria.

-           Um exemplo emblemático é o da casca de coco. Antigamente amontoadas nos pátios de fábricas de leite de coco, coco ralado ou outros produtos feitos com a polpa do coco, as cascas agora seguem para a indústria automobilística para serem transformadas em produtos de primeira linha, como pastilhas de freio, enchimento de estofamentos e isolantes térmicos (no lugar de lã-de-vidro).

-           A parte mais dura da casca é um polímero vegetal de alta densidade, composto por 46% de lignina mais taninos impregnados, que tornam difícil a penetração de microrganismos. As fibras que recobrem o endocarpo também são muito resistentes, flexíveis e duráveis (um material difícil de apodrecer) e até o pó resultante das transformações da casca é aproveitado.

-           Tanto a casca em pedaços como o pó se transformam em cerâmicas decoradas, pastilhas para revestimento ou pisos. E assim frequentam as lojas finas de decoração e os blogs e sites de arquitetura, como no link https://www.cliquearquitetura.com.br/artigo/pastilhas-de-coco.html

-           As fibras da casca de coco são empregadas em produtos diversos, como na manufatura de colchões para salto (por possuir grande elasticidade); na fabricação de cordames de barcos e navios (por resistir à água salgada sem se degradar); na fabricação de tapetes e capachos (pela durabilidade, capacidade de retenção da sujeira e por ser um fungicida natural); em escovas, vassouras, material de enchimento; em misturas com madeira prensada (MDF).

-           Mantas feitas com fibra de casca de coco são empregadas como base para reflorestamentos e projetos de recuperação ambiental, em áreas erodidas, degradadas ou em barrancos íngremes (por facilitar o início do processo de sucessão ecológica). E também servem para dar suporte a jardins verticais. Veja um exemplo no link https://www.westwing.com.br/guiar/painel-de-fibra-de-coco/

-           O pó da casca de coco serve de substrato para mudas em viveiros e vasos feitos com a fibra da casca de coco substituem o xaxim no cultivo de orquídeas ou samambaias e outras plantas ornamentais. E vale lembrar: o xaxim (Dicksonia sellowianna) é uma planta nativa da Mata Atlântica e da Mata Mista de Araucária. Ocorre nos estados do Sudeste e Sul do Brasil (MG, RJ, SP, PR, SC e RS). Sua extração foi proibida por uma resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) em 2001.

-           O aproveitamento integral dos produtos da agropecuária no campo, na fazenda e na agroindústria agrega valor aos produtos e subprodutos. No agro brasileiro, cada vez mais, tudo se cria, nada se perde e tudo se transforma em valor: econômico, social e ambiental.

Compartilhar

Deixe seu comentário