Do boi tudo se aproveita, até o berro


- No conceito de Economia Circular, um dos melhores exemplos de aproveitamento nobre de resíduos da agropecuária brasileira é o dos bovinos. A utilização adequada de subprodutos (antes descartados) hoje é total. E suínos e aves já seguem o mesmo caminho.

- Quando se considera o que os frigoríficos pagam pelos bois e o que ganham com a venda de carne, frequentemente o resultado é negativo. Boa parte dos lucros, na verdade, vem da comercialização dos subprodutos. Os derivados dos bovinos têm papel relevante na composição das receitas industriais.

- Dependendo de raça, idade, sexo e estado corporal, o rendimento da carcaça de um bovino varia de 48 a 62% de seu peso vivo. Retirada a carne, que é o produto principal, os demais derivados do boi geram matérias-primas para abastecer 55 segmentos diferentes da indústria, desde produtos comestíveis até farmacêuticos. Veja artigo sobre o assunto no link https://www.portaldbo.com.br/nem-so-de-carne-e-feito-um-boi/

- Entre os subprodutos de aproveitamento tradicional está o couro, de grande valor e produzido em maior volume, destinado às indústrias e confecções de sapatos, bolsas e acessórios, estofados, roupas, cosméticos, embalagens e farmacêuticos.

- Em segundo lugar vem o sebo, que representa cerca de 4% do peso vivo do boi. É destinado a diversos segmentos industriais, como tintas, pneus, glicerinas e sabonetes, além da produção de biodiesel.

- Em seguida aparecem os cascos. Para um abate anual de 39 milhões de bovinos, são 156 milhões de cascos e nenhum deles vai para o lixo: eles abastecem principalmente a indústria de colágeno.

- Quanto às vísceras, são transformadas em farinha junto com os ossos de bovinos. E a farinha é usada como ingrediente para a fabricação balanceada de rações para animais, sendo empregada na avicultura, suinocultura e rações pet, com uma excelente relação custo/benefício. Pode ser comercializada a granel ou em sacas de polipropileno valvuladas, personalizadas e padronizadas, de 50 kg. Os produtos são seguros. Não apresentam fatores alergênicos ou antinutricionais.

- Também o sangue é transformado em farinha, após cozimento. O sangue fresco é coletado em estabelecimentos fiscalizados por órgãos competentes, de acordo com normas do Ministério da Agricultura. A produção da farinha inclui anticoagulantes. Sua maior característica nutricional é o alto valor proteico. É comercializada em sacas de papel valvuladas de 30 kg e utilizada como ingrediente para a fabricação balanceada de rações para aves, suínos e pets.

Assim é também com os subprodutos de suínos e frangos: ossos, sangue, penas, vísceras, tudo tem destino e é reciclado. São cerca de 37 milhões de suínos, 3,2 milhões de ovinos e caprinos, mais 6 bilhões de frangos. As penas, por exemplo, dão origem a uma farinha de alto valor proteico, com vantagens na formulação de rações para animais não ruminantes, como cães, gatos e peixes.

- Para mais detalhes sobre a reciclagem de subprodutos de origem animal, visita o site da ABRA, Associação Brasileira de Reciclagem Animal no link https://abra.ind.br/

- A reciclagem de subprodutos animais é fundamental na agroindústria. Ela representa o começo e o fim da cadeia da carne, transformando em farinhas e gorduras de origem animal tudo o que não é utilizado como alimento humano. A atividade contribui fortemente para o saneamento do meio ambiente, reciclando carcaças, ossos, sangue e penas. O volume de coprodutos de origem animal reciclados anualmente pela indústria brasileira seria suficiente para preencher todo o espaço livre de dois estádios do Maracanã. Em lugar de descartar tudo, o processo de reciclagem permite colocar novos produtos no mercado. Ajuda a diminuir os impactos ambientais. Evita a proliferação de doenças e permite o controle de bactérias e vírus. É sustentável e limpo.

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