Mel: mercado promissor à espera de produtores


- O Brasil produziu, em 2018, 42.346 toneladas de mel, sendo mais de dois terços (30.688 toneladas) nas regiões Nordeste e Sul. É bastante, em comparação à média dos últimos 20 anos (entre 20 e 30 mil toneladas anuais), mas ainda é muito pouco em relação ao potencial nacional.

- O mel brasileiro é fortemente associado às florações de plantas nativas. Pode ser monofloral, como o mel de assa-peixe (Vernonia polysphaera) e o mel de aroeira (Schinus terebinthifolius) ou resultado de várias misturas, como o chamado mel silvestre. Muitas vezes é produzido em decorrência de serviços de polinização prestados por apicultores itinerantes em plantações de eucalipto e laranja, por exemplo.

- Via de regra, a apicultura é exercida por pequenos produtores, em busca de um complemento de renda. Segundo a Abemel (Associação Brasileira de Exportadores de Mel), são cerca de 350 mil apicultores em atividade, no país.

- A produção ocorre durante todo o ano e inclui vários tipos de mel considerados gourmet, incluindo diversos tipos de mel de abelhas brasileiras sem ferrão, como mandaçaia, jataí e uruçu (aquela da música Tropicana, de Alceu Valença: “saliva doce, doce mel, mel de uruçu”). Já existem algumas marcas com certificação de indicação geográfica e selo de garantia de origem e qualidade.

- O consumo de mel por pessoa é extremamente baixo no Brasil: cerca de 100 a 200 gramas per capita/ano, enquanto nos países europeus varia de 1 a 1,5 kg per capita/ano. Sendo assim, boa parte da produção é exportada. A Abemel tem, inclusive, um programa em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), cujo objetivo é aumentar o valor e promover a internacionalização do mel brasileiro, vendendo sobretudo nos mercados da Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, Japão, Indonésia e Emirados Árabes Unidos. O projeto chama-se Brazil Let’s Bee. Saiba mais no link: https://www.brazilletsbee.com.br/

-     Mundialmente, estima-se que o mercado mundial deve crescer bastante nos próximos 5 a 10 anos, com um incremento nas exportações da ordem de 100 mil a 150 mil toneladas de mel por ano.

- De olho nesta tendência, um produtor de gado do Mato Grosso, Roberto Libera, resolveu testar um novo modelo de apicultura de grande escala e alta tecnologia, com o objetivo de se tornar o maior produtor de mel do Brasil. Inicialmente, sua principal preocupação era manter seu rebanho bovino em 10 mil cabeças, sem abrir novos pastos em sua propriedade de 34 mil hectares, a Fazenda Paraná, situada no Mato Grosso. Ele então implantou o sistema ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), por meio do qual a fertilidade da terra é recuperada, aumentando a capacidade de suporte das pastagens. Na porção floresta, em lugar de plantar eucaliptos, como a maioria dos produtores de gado, ele inovou: optou por uma espécie australiana de acácia (Acacia mangium), de tronco ereto, boa para madeira e também para restaurar os solos.

- Suas acácias atraíram tantas abelhas, que o pecuarista logo mudou de ideia e resolveu não cortar nenhuma delas. Ao invés de explorar a madeira, partiu para a apicultura. Hoje ele tem um milhão de acácias plantadas em sua fazenda e um exército de abelhas produzindo mel de qualidade, em colmeias robotizadas. –

- Consegue extrair e envasar o mel de forma automatizada, com rapidez e eficiência. Seu entreposto – Casa Roncador – tem capacidade instalada para processar seis toneladas de mel por dia.

- A meta de Roberto Libera é produzir 1,4 mil toneladas de mel por ano, entre 2023 e 2025. Ele considera viável trabalhar com três safras por ano e acredita que eventualmente possa chegar até a quatro safras anuais, visto que o Brasil não tem o inverno limitante dos países europeus (onde é possível, no máximo, obter duas safras anuais). Sua marca já tem denominação de origem controlada e a intenção é focar na exportação, embora já tenha iniciado a distribuição no Brasil.

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