Boas perspectivas para a exportação de carne


- Embora com alguma oscilação, o preço da carne segue aquecido no mundo inteiro, segundo a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Os preços são os maiores dos últimos 5 anos. No Brasil, houve um salto histórico em 2019. As principais razões são: a ocorrência de peste suína africana (PSA) na Ásia, principalmente na China, e o conflito comercial entre os EUA e China, a partir de 2018. Esses dois fatores conjunturais reforçaram um movimento estrutural de aumento do mercado consumidor de carne bovina na Ásia, resultado do crescimento da renda da população.

- A peste suína africana (PSA) é uma doença fatal para porcos e javalis, com índice de morte de 100% dos animais infectados. É inofensiva para humanos (diferente da gripe aviária, que também afeta pessoas), mas não tem controle, nem vacina ou remédio. A única medida para conter a infestação é abater os animais contaminados.

- A PSA foi inicialmente reportada na China em agosto de 2018. Muito virulenta, espalhou-se rapidamente por todas as províncias do país. A China é o maior produtor de suínos do planeta, mas em sistemas tradicionais e pouco tecnificados de criação, com pouco controle das condições de higiene na criação e no transporte. Isso favoreceu a patologia. Centenas de milhões de suínos morreram. Estima-se que a criação chinesa de porcos foi reduzida em mais de 40%, embora os dados sejam pouco transparentes sobre o ocorrido (para informações atualizadas, veja o link da FAO http://www.fao.org/ag/againfo/programmes/en/empres/ASF/situation_update.html).

- O governo chinês estabeleceu regras de subsídios para os produtores abaterem seus suínos contaminados: 1.200 iuanes (170 dólares) por porco abatido para impedir a propagação dessa doença mortal. As informações seguem obscuras, agricultores alegam não receber os subsídios e outros afirmam não estarem autorizados a relatar a doença.

- No final de 2019, a doença ressurgiu na Indonésia e já mata milhares de porcos por dia na Coreia, Filipinas, Vietnam, Laos, Cambodja, Myanmar e Timor Leste. Ela tende a se espalhar ainda mais pela Ásia e progride em direção à Europa. A PSA representa a maior ameaça para a produção suína na Europa de Leste e Central. Sua presença já é crônica na região, pois o vírus se hospeda nos javalis. A epidemia iniciou em 2007 em Poti, o principal porto da Geórgia no Mar Negro. De lá, o vírus propagou pela Geórgia e, depois, para a Armênia, a Rússia, Bielorrússia, Ucrânia, Lituânia, Letônia, Estônia e Polônia (Leia mais no link https://www.3tres3.com.pt/artigos/epidemiologia-da-peste-suina-africana-na-polonia_8275/).

- Na Polônia, a PSA é considerada endêmica em populações de javalis de vários municípios. Recentemente, um javali contaminado foi encontrado próximo à fronteira com a Alemanha, o maior fornecedor de carne suína da União Europeia. Ali, a Alemanha já relaxou as restrições à caça de javalis.

- Com o declínio brutal da produção de carne suína na China e queda também em outros países asiáticos, a demanda por carnes do Brasil ainda aumentará em 2020. A demanda chinesa leva ao crescimento no consumo de carne bovina e de aves. E os preços seguirão elevados no mundo inteiro.

- Parte da demanda adicional por carne bovina da China será atendida por fornecedores norte-americanos, em função do acordo assinado entre os dois países. As exportações dos EUA deverão crescer pelo menos em 1,5 milhão de toneladas (6%). Mas a demanda também será atendida por brasileiros, argentinos e paraguaios, em função da disponibilidade, de preços mais favoráveis e da aprovação de novos frigoríficos para exportação.

- Graças ao trabalho do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), novos frigoríficos brasileiros foram certificados e autorizados a exportar para a China. Ela é hoje o principal cliente do Brasil em proteínas animais. O país recebeu, em 2019, 26,8% de toda a carne bovina brasileira exportada. Em 2º lugar, ficou Hong Kong, que também é China, com 18,6%. Ou seja, no total mais de 45% de toda carne bovina exportada foi para a China. Além disso, como no caso do café, os chineses estão apreciando cada vez mais um bom bife de carne bovina.

- No final de 2018, as profecias negativas de muitos “entendidos e especialistas” anunciaram um cenário nebuloso e difícil para a carne brasileira em 2019 (Confira no link https://www1.folha.uol.com.br/seminariosfolha/2018/11/cenario-da-agropecuaria-e-nebuloso-para-2019.shtml). Segundo tais previsões, o real valorizado, as barreiras à carne brasileira, os problemas sanitários, a “ Operação Carne Fraca”, a política externa do novo Governo prejudicariam o agronegócio. Esses vaticínios não se confirmaram. O Brasil bateu recordes na exportação de carnes em 2019.

- Para 2020, a perspectiva de pandemia do coronavírus já provoca alguma turbulência nos mercados. Ainda assim, a previsão para o Brasil é de aumento superior a 15%, em relação a 2019, na exportação de carne bovina para a China, atingindo quase três milhões de toneladas até o final do ano. Provavelmente, será a maior melhoria comparada a qualquer outro país exportador. A mesma tendência ocorre com outras carnes. Em novembro de 2019, as importações chinesas de carne suína foram 151% maiores que no mesmo mês de 2018. De janeiro a novembro já estavam quase 60% maiores.

- A demanda por carnes seguirá aquecida em 2020. E a oferta, apertada. Se 2019 foi muito bom para a pecuária brasileira, 2020 pode ser ainda melhor.

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