A meta do agronegócio é abrir mercados


- Sem as exportações da agropecuária, a balança comercial brasileira teria registrado um déficit de mais de US$ 36 bilhões em 2019. Isso impactaria negativamente a taxa de câmbio, traria aumento da inflação e, em decorrência, o aumento da taxa de juros, comprometendo as chances de retomada econômica. Não é isso que está acontecendo no Brasil.

- Muitos cidadãos urbanos não atentam para a importância das exportações do setor agropecuário, não enxergam como elas são fundamentais para toda a economia. Prevalece a imagem de que vender produtos agropecuários é para países não industrializados, sem tecnologia. Não é assim em países desenvolvidos: basta reparar no protecionismo dos países europeus em relação a seus produtos agrícolas e ver as exigências dos norte-americanos junto à China, no acordo recém-celebrado entre eles. A Fase 1 do acordo prevê compras adicionais de produtos agrícolas norte-americanos por parte dos chineses de, pelo menos, 12,9 bilhões de dólares em 2020 e 19,5 bilhões de dólares em 2021! Para a agropecuária dos EUA, as exportações devem chegar a 36,5 bilhões de dólares em 2020 e 43,5 bilhões de dólares em 2021, em itens como soja, milho, algodão, arroz e carnes, entre outros.

- Para o Brasil, em dez anos, o agronegócio trouxe cerca de 931 bilhões de dólares, segundo o Ministério da Agricultura. Graças às exportações do agro, em valores de hoje e em reais, são mais de R$ 4 trilhões movimentando nossa economia. Foram trilhões do mundo, do exterior, que entraram no país. E foram destinados a investimentos nas áreas urbanas e rurais. Sem esses resultados, a inflação seria mais alta, a comida mais cara, a economia estaria em retrocesso, com menos empregos, impostos mais elevados e juros mais altos.

- Desde 2018, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) vem tomando iniciativas mais agressivas para abrir novos mercados mundiais aos produtos brasileiros. Confira o balanço do ministro Blairo Maggi ao final de seu mandato no link http://www.agricultura.gov.br/noticias/abertura-de-mercados-e-desburocratizacao-foram-destaque-em-balanco-de-blairo-maggi e o balanço da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócios, em dezembro de 2018: http://www.agricultura.gov.br/noticias/foram-abertos-mercados-para-24-produtos-do-agro-em-mais-12-paises).

- O esforço prosseguiu em 2019, com visitas da ministra Teresa Cristina ao Sudeste Asiático, ao Japão, ao Oriente Médio e à China. Entre os resultados concretos estão, por exemplo, a abertura do mercado indiano aos frangos brasileiros, dos mercados chinês e egípcio aos nossos produtos lácteos e do mercado da Indonésia para carnes (veja nos links de notícias do ministério: http://www.agricultura.gov.br/noticias/ministra-anuncia-abertura-do-mercado-da-india-a-carne-de-frango-brasileira, http://www.agricultura.gov.br/noticias/temos-de-reestabelecer-nossa-credibilidade-com-o-japao-diz-ministra).

- Neste início de 2020, a viagem à Índia da Ministra da Agricultura e do Presidente da República ilustra o esforço, não somente para ampliar a exportação de grãos e carnes, mas para fortalecer o setor de agroenergia, ao fazer do etanol uma commodity.

- Esses são novos passos do Brasil na geopolítica mundial, em que seu peso resulta de sua relevância crescente como fornecedor de alimentos e bioenergia para cerca de um sexto da população do planeta. A criação e ampliação do cargo especial de adido agrícola em embaixadas, nos últimos anos, reflete a importância do setor agropecuário e de suas exportações na política externa brasileira. E os acordos comerciais bilaterais são fundamentais para promover a exportações brasileiras, sobretudo no setor de proteína animal. Tanto que o Itamaraty criou, em 2019, uma diretoria exclusivamente voltada ao agronegócio e as exportações (veja notícia do Estadão no link https://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,agronegocio-invade-diplomacia-e-faz-brasil-formar-time-de-adidos-agricola,70003164448).

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