Por que a opção de plantio direto é boa para o Brasil?


-           O plantio direto na palha, adotado em mais de 35 milhões de hectares, no Brasil, é um sistema sem aração e sem gradagem do solo. Os objetivos primordiais são reduzir a erosão e deixar no campo a matéria orgânica e a palhada da colheita anterior, para proteger o solo dos impactos das gotas de chuva, favorecendo a fertilidade viva, a produção de matéria orgânica e a retenção da umidade.

-           A aração é a principal tecnologia de cultivo da humanidade há pelo menos quatro milênios. Por isso, deixar de arar a terra, a princípio, soa como um sacrilégio.

-           A aração é, de fato, adequada e extremamente importante nos países de clima temperado, dos quais inicialmente importamos nossas tecnologias agrícolas. Nestes países, o inverno é chuvoso e frio e não permite qualquer cultivo. Então, ao final do verão ou início do outono, terminada a colheita, os agricultores aram a terra, deixando o solo revolvido, em grandes blocos e sulcos, até a primavera seguinte. Desse modo, as raízes de ervas daninhas serão expostas e controladas pelo frio; muitas das pragas e doenças também serão eliminadas pelo inverno, e a umidade das chuvas ou da neve penetrará na terra, garantindo o estoque de água necessário para a próxima safra, a ser semeada no início da primavera.

-           Nos países tropicais, ao contrário, a aração é inadequada para as condições climáticas. O calor é constante o ano inteiro e as chuvas se concentram no verão, mas também ocorrem no resto do ano. A terra revolvida e exposta ao sol tende a ressecar e ficar desagregada e sem vida e, quando chove, a camada superficial de solo é carregada morro abaixo.

-           Ao deixar de arar a terra, o Brasil passou a: preservar o solo contra erosão; aumentar o estoque de matéria orgânica para as culturas seguintes e, sobretudo, reter mais umidade ao alcance das raízes. Isso tudo leva a um aumento significativo da produtividade. Em 50 anos de experiência com o plantio direto na palha, a produtividade do solo aumentou, em média, 30% na comparação com campos arados. Em anos mais secos, esse incremento pode chegar a 50%, somente devido à retenção de umidade no solo.

-           Somada ao plantio direto, a grande diversidade genética de sementes de cultivares atualmente oferecida aos produtores brasileiros – incluindo, sobretudo, os organismos geneticamente modificados (OGMs) – permite combinações variadas e novos ajustes no calendário de plantio e colheita. As novas cultivares de soja transgênica de ciclo muito curto, conjugadas à grande mecanização de precisão, por exemplo, tornaram possível o melhor aproveitamento de recursos hídricos e ampliaram a perspectiva do milho safrinha (milho plantado sobre a palha da soja, que é colhida ainda em janeiro). Leia artigo do pesquisador José Carlos Cruz, da Embrapa Milho e Sorgo, no link https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/41024/1/Plantio-direto.pdf.

-           Em resumo, os sistemas de plantio direto na palha trouxeram ganhos significativos de sustentabilidade ao conjunto da atividade agrícola ao reduzir o uso de combustíveis fósseis e diminuir as emissões de CO2 nas operações agrícolas; limitar custos de produção; eliminar o tempo gasto na aração; flexibilizar o calendário agrícola; ampliar o teor de matéria orgânica e nitrogênio nos solos; aumentar a absorção de carbono no solo; minimizar a perda de solos por erosão hídrica; ampliar a biodiversidade na terra (fertilidade viva) e, consequentemente, aumentar a produção, a produtividade e a renda do produtor rural.

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