Adoção do sistema de plantio direto levou a ganhos sociais


-           Diversos sistemas de produção adotados nas lavouras brasileiras levaram a grandes mudanças na vida do trabalhador do campo, nos últimos 50 anos. Para deixar de importar alimentos e se tornar um grande exportador, o Brasil recorreu a tecnologias que mudaram a forma de produzir e elevaram a produtividade, mas também transformaram a rotina de quem trabalha na terra. E o sistema de plantio direto na palha certamente é um dos melhores exemplos.

-           Por força dos novos sistemas de plantio adotados, as máquinas agrícolas foram trocadas, a operação dessas máquinas deixou de ser um trabalho bruto e passou a exigir cada vez mais precisão. Os tratoristas passaram a operar máquinas mais sofisticadas, com sistema informatizados, capazes até de orientar a formação de sulcos no solo exatamente nas entrelinhas do traçado do ano anterior. Essas máquinas têm cabines climatizadas, que já não deixam os operadores expostos à chuva e ao sol, como os antigos tratores. Operar tais máquinas exige treinamento e implica em ganhos de salário correspondentes às novas funções.

-           Os horários de trabalho foram igualmente adaptados. Mesmo nas movimentadas épocas de plantio e colheita, os trabalhadores já não permanecem nas fazendas: vão e voltam para casa, nas cidades vizinhas, e com veículos próprios.

-           As mudanças no tipo de trabalho já refletem também nos censos agropecuários e em pesquisas independentes. De acordo com uma pesquisa realizada em 2013 e 2017 pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio, por exemplo, cresceu a participação de mulheres em cargos de comando nas empresas agrícolas. Em 2013, elas ocupavam apenas 10% dos cargos, enquanto em 2017 o percentual subiu para 30%!

-           A mesma pesquisa verificou uma ligeira tendência de migração do jovem da cidade para o campo, onde a oferta de empregos tecnológicos aumentou significativamente, com o desenvolvimento de aplicativos de gestão e numerosas startups de serviços. Em 2013, a idade média do produtor rural era de 48 anos e, em 2017, essa média baixou para 46,5 anos. Parece pouco, mas o fato é que as faixas etárias que mais cresceram no período foram as de produtores mais jovens: de 18 a 25 anos, de 26 a 35 anos e de 35 a 40 anos.

-           Vale lembrar que o envelhecimento do produtor rural e a migração das novas gerações para as cidades é um problema mundial e qualquer sinal de reversão de tendência é um alento.

-           Uma nova pesquisa está em andamento em 2020, com previsão de 3 mil entrevistas a serem realizadas em 15 estados brasileiros. Confira no no site da ABMRA no link https://www.abmra.org.br/.

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