Verão: tempo de plantar, colher e plantar outra vez


-           São muitas as diferenças entre a vida no campo e nas cidades, entre a rotina rural e a urbana. Uma das diferenças mais marcantes é a do tempo, no sentido de calendário. Agora, no início do ano, no Hemisfério Sul, é tempo de verão. Isso se traduz, no mundo urbano e escolar, como o tempo das férias, do lazer, do descanso, das ruas vazias nas grandes cidades e dos congestionamentos nas praias, nas piscinas e nos bares. Já no mundo rural, verão é o momento do ano em que mais se trabalha: é tempo de plantar, cuidar das lavouras e colher para novamente semear e tratar da segunda safra (a chamada safrinha).

-           Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) até o final da primeira semana de fevereiro, o estado do Mato Grosso já havia colhido 44,51% da soja plantada entre o fim de dezembro e início de janeiro. E, ao mesmo tempo, já havia semeado 38,94% do milho safrinha e 98,24% do algodão. O Imea mantém um calendário virtual recheado de informações para ajudar os produtores em suas atividades no atribulado verão do mundo rural. Visite no link http://www.imea.com.br/imea-site/calendario.

-           Como no Mato Grosso, em grande parte do Brasil, o verão é tempo de colher soja e plantar milho, pastagens e algodão. Este é um dos poucos lugares do planeta em que o tempo de colheita e o de plantio se misturam, em razão da produção de pelo menos duas safras por ano. O empreendedorismo dos produtores e a tecnologia agrícola moderna fizeram do meio do verão um tempo de colheita e plantio.

-           Mas esse voluntarismo dos agrônomos e agricultores brasileiros acaba aí. Não é possível colher e plantar no início do inverno ou da primavera em razão dos imperativos do tempo, no sentido meteorológico do termo: o inverno é o tempo de falta de chuvas em grande parte do Brasil e de baixas temperaturas no Sul. E o calendário agrícola é determinado pelo clima, pelas estações, como em todo o mundo. Cada país com seu clima e sua agricultura.

-           No meio urbano, em particular, existe uma tendência crescente, das pessoas e até da mídia, em apresentar o clima como algo caótico, extremamente imprevisível ou mesmo incompreensível. Qualquer variação no tempo já é considerada acima ou abaixo da média ou é atribuída às mudanças climáticas. Uma das frases preferidas em tais situações é “em um dia, já choveu o esperado para o resto do mês”, como se existisse, nos registros históricos climáticos, algum mês em que as chuvas realmente se distribuíssem uniformemente, repetindo dia a dia o mesmo tanto de milímetros até somar a tal média “esperada”. O tempo, no sentido do clima, não funciona assim.

-           Nas regiões intertropicais, situadas entre o Trópico de Câncer e o de Capricórnio, o tempo é um relógio. Mas a medida a ser considerada é a estação e não um certo dia ou uma semana específica. Nas regiões tropicais, em qualquer lugar do planeta, chove sempre no verão, ou seja, o auge das chuvas ocorre no verão. Independente das variações que sempre ocorrem de ano para ano na quantidade de chuvas, o auge das precipitações é no verão. Independente das variações que sempre ocorrem de localidade para localidade, o máximo de chuvas é no verão. É assim no Brasil, no Vietnã, na Guatemala, na Indonésia ou no Senegal. É assim em Porto Velho, onde chove muito, como em Petrolina, onde chove pouco.

-           Aqui, na região tropical do Hemisfério Sul, chove no verão austral, no começo do ano. E, lá, na região tropical do Hemisfério Norte, chove no verão boreal, no meio do ano. E quando ocorrem as famosas monções do sul e sudeste asiático, quando ventos úmidos sopram do Oceano Índico para o continente e provocam longos e fortes aguaceiros seguidos de extensas inundações? No verão boreal, no meio do ano.

-           A palavra monção (e seu plural mais utilizado: monções) vem do árabe mausim, cujo significado é estação. Leia mais no Wikipedia, no link https://pt.wikipedia.org/wiki/Mon%C3%A7%C3%A3o.

-           As famosas chuvas de verão ocorrem, precisamente, no verão, acompanhando o movimento aparente do Sol no céu. As chuvas de verão são determinantes para toda a atividade agrícola tropical. É a beleza do tempo e do calendário agrícola que, como as chuvas, segue o movimento dos astros. Não é à toa que os antigos gregos deram ao movimento de planetas e estrelas o nome Cosmos, por admirar a beleza de sua precisão matemática. Cosmos, em grego, significa beleza, harmonia (de onde deriva, inclusive, a palavra cosmética).

Compartilhar

Deixe seu comentário