Tecnologias agrícolas ajudam a controlar variabilidades climáticas


-           A variabilidade do clima costuma frequentar conversas fortuitas, seja entre desconhecidos ou velhos amigos e parentes. O sol quente demais, o sol que não aparece para espantar o frio, a falta de chuva para encher os reservatórios, essas chuvas fortes que não param mais... Os comentários cotidianos sobre o tempo, tão comuns, talvez possam ser explicados pelo fato de o clima ter uma universalidade, uma abrangência da qual ninguém escapa. Independentemente da situação social ou econômica, da cultura ou da profissão de cada um, o tempo alcança a vida de todos. O calor e o frio, a estiagem e as chuvas torrenciais vêm para todo mundo. Os impactos é que variam. E variam mais do que o próprio clima, embora nem sempre seja esta a nossa percepção.

-           A agricultura, entre as muitas atividades humanas, é particularmente vulnerável às variabilidades climáticas, capazes de transformar expectativas de boas safras em grandes perdas, de uma hora para outra. Justamente por isso, os produtores rurais e os pesquisadores sempre trabalharam e ainda trabalham muito no desenvolvimento de saberes e tecnologias capazes de minimizar quebras de safra ocasionadas pelo tempo.

-           Com cultivares de ciclos mais curtos e equipamentos e máquinas cada vez mais precisos e eficientes, foi possível reduzir o tempo de execução das operações agrícolas, explorando de forma variada e eficaz o calendário agrícola. Com ajustes localizados na quantidade de adubos e corretivos de solo, aliados a técnicas e tecnologias de controle de ervas daninhas mais cultivares resistentes a determinadas doenças, as lavouras enfrentam melhor a variabilidade climática.

-           Inovações tecnológicas no controle de pragas e doenças minimizam muito as quebras decorrentes do ataque de insetos ou ocorrência de fungos, associadas ou potencializadas pelo clima. O tempo quente, por exemplo, acelera o metabolismo dos insetos, que comem mais e se reproduzem mais rápido. Chuvas leves seguidas de dias ensolarados induzem explosões populacionais de lagartas. Calor e seca são ideais para a reprodução da mosca branca. Calor e alta umidade favorecem o desenvolvimento de fungos. Ventos ajudam pragas a se disseminarem pela cultura e assim por diante.

-           Quanto mais um produtor tem acesso à mecanização e às tecnologias modernas, melhor consegue se adaptar às variações do clima. E isso inclui sistemas de monitoramento por drones e sistemas de informação associados às máquinas de plantio/colheita. O produtor ganha escala em seu monitoramento, sem precisar entrar pessoalmente nas lavouras (às vezes até funcionando com disseminador de alguma praga), e conseguindo agir no combate às pragas e doenças quando elas ainda estão no início.

-           No pós-colheita, a presença de secadores, silos, áreas de armazenagem e maquinário de processamento nas propriedades rurais, assim como uma boa logística viária e de eletrificação são fundamentais para enfrentar com sucesso as flutuações interanuais do clima.

-           E os maiores recursos face à falta ou à irregularidade das chuvas são os sistemas de irrigação, cada vez mais ajustados a cada cultura e cada período daquela cultura. A irrigação hoje tem alternativas quase “cirúrgicas” de tão precisas. São opções para usar água apenas na quantidade e no momento necessários, reduzindo drasticamente os desperdícios e maximizando os efeitos positivos.

-           Em resumo, o melhor remédio para agropecuária enfrentar as variações do clima é o desenvolvimento rural, econômico, tecnológico e social.

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