Com boas mudas, o produtor dribla o clima e as doenças


-           Muitas lavouras não dependem de sementes, pois a propagação das plantas é vegetativa. Um campo de mandioca, por exemplo, é plantado com manivas, que são pedaços de rama da planta, com 2 a 3 centímetros de diâmetro. As manivas são retiradas do terço médio inferior da planta-matriz, com 10 a 14 meses de idade, pois as pontas das ramas são verdes demais para resistir aos fungos do solo ou para brotar com vigor. Elas são armazenadas em feixes, eventualmente cobertos com capim ou palhada. Na hora de plantar, são cortadas em pedaços de 20 a 25 cm com 5 a 7 gemas cada, de onde brotará o novo pé de mandioca. Veja mais no link da Esalq-USP http://www.esalq.usp.br/cprural/boapratica/mostra/105/boas-praticas-na-producao-de-manivas-semente-de-mandioca.html.

-           A cana-de-açucar também é plantada com pedaços do caule de plantas-matrizes, chamados de toletes ou rebolos. A sanidade dos toletes é extremamente importante, pois dela dependem vários anos de produção, visto que a cana é uma cultura semiperene: cada renovação de canavial com o plantio toletes rende de 5 até 7 cortes, feitos anualmente ou a cada ano e meio, a partir da rebrota. No plantio mecanizado, em especial, o cuidado é redobrado para o tolete não bater na plantadeira e não rachar, o que abriria caminho para os fungos de solo atacarem, sobretudo porque o teor de açucares no interior dos colmos é alto e atrai todo tipo de praga. Toletes bem tratados e bem plantados podem significar um aumento no rendimento do canavial de cerca de 10 toneladas por hectare.

-          As mudas ainda prevalecem no plantio de fruteiras: videiras, laranjeiras, limoeiros, pessegueiros, amoreiras, goiabeiras e muitas outras são de propagação vegetativa, em muitos casos com enxertia. A produção das mudas é feita em viveiros e demanda o uso de diversos substratos, bandejas, bancadas ou estruturas para plantios suspensos, dentro de estufas ou outros tipos de ambientes protegidos por telados, para evitar o ataque de pragas e, mais uma vez, garantir o vigor necessário às mudas. Existem vários tipos de viveiros em atividade no Brasil, daqueles feitos nos próprios sítios e fazendas a grandes empresas produtoras de mudas.

-          Na horticultura – embora muitos produtores usem sementes, sobretudo os mais especializados – a produção comercial de mudas contribui para melhorar a produtividade dos pequenos agricultores, das hortas comunitárias, das hortas caseiras e mesmo das hortas feitas em escolas, para colocar as crianças em contato com a terra. Muitas mudas são vendidas, inclusive, em floriculturas e nas ceasas.

-          Entre os viveiros brasileiros, destacam-se igualmente os de produção de mudas de café e seringueira e de mudas de espécies nativas, multiplicadas para a recomposição de áreas de preservação. No caso das nativas, além de proteger as mudas contra doenças e pragas, é preciso ter um vasto conhecimento sobre as variadas maneiras de quebrar dormência de sementes, de garantir períodos de frio ou calor e o grau de umidade adequada em certos momentos da produção, sem os quais não há germinação ou as mudas deixam de se desenvolver.

-          Em termos de volume, os maiores viveiros do Brasil são os de tabaco e de eucaliptos. Os viveiros de tabaco produzem mais de 6 bilhões de mudas, distribuídas anualmente aos produtores para garantir a produção média de 850.000 toneladas de folhas. Os de eucaliptos abastecem florestas já plantadas em 5,7 milhões de hectares, com uma taxa média de crescimento de 2,4%, sem contar as áreas de eucaliptos nos sistemas de Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). Muitos viveiros são altamente tecnificados, com automação, clonagem e outras tecnologias de ponta para assegurar as melhores mudas para as diversas condições de campo e clima do país. A Embrapa tem uma publicação só sobre produção de mudas de eucaliptos, leia no link https://livimagens.sct.embrapa.br/amostras/00085650.pdf.

-          Em todos os casos, o sucesso do plantio com mudas depende de muitas operações dentro dos viveiros: germinação, raleamento, repicagem, transplante de tubetes e bandejas para sacos plásticos, enxertia, aclimatação e seleção das mudas. E depois de tudo isso, finalmente vem o plantio no campo e em ambientes protegidos, exigindo tutores, sistemas de apoio, irrigação correta, palhada para a proteção ao redor da muda, controle de ervas daninhas em volta...

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