Algodão “egípcio”: uma espécie americana, cultivada no Texas

- O algodão é uma planta da família das malváceas (Malvaceae), da qual também fazem parte os baobás, os hibiscos, as malvas, as paineiras, as tílias e o cacau. O gênero do algodão é Gossypium e sua história é muito antiga. A planta já existia em Gondwana, o supercontinente de cerca de 100 milhões de quilômetros quadrados, formado no período Neoproterozoico (550 milhões de anos) e separado pela deriva dos continentes, no final do Jurássico (180 milhões de anos).

- Quando o supercontinente se dividiu – dando origem à América do Sul, África, Antártica, Austrália, Subcontinente Indiano e Arábia – as espécies de algodão gradualmente se diferenciaram, adaptando-se às mudanças de condições de solo, ambiente e clima, em cada região do mundo.

- Muitos milhões de anos depois, surgiu a espécie humana (3 milhões de anos), cuja dispersão pelos vários continentes ainda levou um longo tempo (100 mil a 30 mil anos). E só então, com o desenvolvimento da agricultura, algumas das espécies de algodão foram domesticadas e tornaram-se os primeiros e mais importantes cultivos não alimentícios de todo o mundo.

- De forma independente, os povos primitivos de diversas regiões aprenderam a usar o algodão para se aquecer, inicialmente usando o fruto em chumaços amontoados e, depois, fiando e tecendo as fibras para fabricar cobertas, roupas, adornos e acessórios. Conheça um pouco da história da domesticação do algodão no link (em inglês) https://www.thoughtco.com/domestication-history-of-cotton-gossypium-170429. 

- Pelo que se sabe hoje, uma das primeiras espécies de algodão a ser domesticada, há cerca de 6 mil anos, foi Gossypium arboreum, nativa do Vale do rio Indo, entre os atuais Paquistão e Índia. É uma das plantas de algodão mais altas (arbusto) e capaz de resistir melhor à seca e aos solos salinizados. Em torno de mil anos depois, há 5 mil anos, foi domesticada a espécie G. hirsutum, nativa do México e América Central, de porte mais baixo (moita) e fibras mais longas. As outras duas espécies domesticadas em seguida foram G. herbaceum, da Arábia e Síria, e G. barbadense, do Peru.

- Quando os europeus chegaram às Américas, na Era dos Descobrimentos, logo reconheceram a qualidade superior das espécies de algodão americanas, sobretudo devido às fibras longas e macias. Assim, suas sementes foram levadas para a Europa, Ásia e África.

- A substituição incluiu até mesmo o bem reputado algodão egípcio, embora a fama de fibra de alta qualidade tenha permanecido. Atualmente, o Egito produz pouco algodão e o que a indústria têxtil mundial chama de algodão “egípcio”, em verdade, é o algodão produzido por cultivares da espécie originária do Peru (G. barbadense), plantadas em larga escala no estado norte americano do Texas.

- Confira no link: https://gd.eppo.int/taxon/GOSBA. 

Muito obrigado! Bom fim de semana!

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