A Carta de Caminha contribuiu para o início de nossa agropecuária

- Em abril de 1500, logo após os primeiros contatos com os indígenas da costa brasileira, os navegadores portugueses da esquadra de Pedro Álvares Cabral se surpreenderam com a ausência de plantações e qualquer criação de animas domésticos. Pero Vaz de Caminha, autor da Carta do Descobrimento, descreve a reação de alguns indígenas ao verem um carneiro e uma galinha ou quando convidados a experimentar os alimentos disponíveis a bordo. E, também, comenta sobre a ausência de agropecuária nas aldeias visitadas por alguns dos portugueses.

- Tais comentários motivaram o envio de plantas e animais junto com os primeiros povoadores. Felizmente, os portugueses sabiam da importância de aclimatar plantas em ilhas oceânicas e fazer quarentena com os animais, antes de levá-los para a nova terra. Tal cuidado foi fundamental para eliminar parte das pragas e doenças das espécies importadas.

- Em português moderno, escreveu Caminha, sobre os animais e alimentos apresentados aos indígenas: “Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como se os houvesse ali. Mostraram-lhes um carneiro; não fizeram caso dele. Mostraram-lhes uma galinha; quase tiveram medo dela, e não lhe queriam pôr a mão. Depois lhe pegaram, mas como espantados. Deram-lhes ali de comer: pão e pescado cozido, confeitos, fartéis, mel, figos passados. Não quiseram comer daquilo quase nada; e se provavam alguma coisa, logo a lançavam fora”. 

- Também em português atual, quase ao final da carta, Caminha faz as seguintes observações: “Eles não lavram nem criam nem há aqui boi nem vaca nem cabra nem ovelha nem galinha nem nenhum outro animal que esteja acostumado ao viver dos homens. Nem comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si lançam.”

- Uma versão da Carta de Caminha pode ser lida no link. O fac-símile da carta e sua digitação em português arcaico, estão disponíveis no link. O trecho dos alimentos oferecidos, aqui citado, está na página 3, e o trecho sobre lavrar e criar está na página 11. 

- Os portugueses logo levaram a mandioca do Brasil para o mundo. E a cultura foi tão bem incorporada por alguns povos africanos e asiáticos, que hoje há quem custe a acreditar que a espécie não é nativa daquelas terras. Mais tarde, também o cacau, a borracha e o abacaxi, originários das Américas, foram introduzidos na África, Ásia e Havaí.

- Do mundo para o Brasil, os portugueses trouxeram tudo o que poderia atender suas necessidades básicas de alimentação, saúde e vestimenta. De temperos e conservantes de alimentos.

- Hoje, nos imóveis rurais brasileiros são cultivadas mais de 500 espécies vegetais diferentes. Essa riqueza de espécies é o resultado de um processo histórico de exploração e ocupação agropecuária. Muitas cidades e regiões econômicas brasileiras devem sua existência e opulência a essas culturas, introduzidas pelos portugueses, com as observações escritas por Caminha ao rei Don Manuel I.

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