Pandemia afeta profundamente a floricultura

Coluna Evaristo
 

• Ao agregar valores aos seus produtos, sempre diversificando a oferta e investindo em tecnologia, a floricultura estava em expansão no Brasil, até a pandemia de COVID-19. Com cerca de 8.300 produtores, 60 centrais de atacado (incluindo cooperativas), 680 atacadistas e prestadores de serviço, as vendas eram garantidas em mais de 20 mil pontos de varejo.
• De uma hora para outra, praticamente todos esses pontos de venda fecharam, em municípios com ou sem casos de infecção pelo vírus. As flores de corte, perecíveis e sem possibilidade de estocagem, passaram a ser sistematicamente descartadas.
• As medidas simplistas e irrefletidas de isolamento e quarentena, impostas de forma generalizada, atingiram em cheio e desnecessariamente a floricultura nacional. Além do fechamento dos pontos de venda, o cancelamento de eventos e as restrições de funcionamento de garden centers e atacadistas reduziu à metade o faturamento do setor, da noite para o dia.
• Em toda a cadeia (produtores, atacadistas e varejistas), o setor de floricultura perdeu mais de R$ 1 bilhão em faturamento, entre março e início de maio! É significativo para quem movimenta R$ 8,67 bilhões em toda cadeia, gera 210.000 empregos diretos e mais de 800.000 indiretos!
• Caso as regras demorem a ser flexibilizadas para permitir a reativação da economia, o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor) alerta para um cenário devastador, com o desemprego estimado de 120 mil pessoas nas áreas produtivas. Sobretudo pelo fato de o isolamento incluir o Dia das Mães, principal data anual para a venda de flores, em todo o país.
• Preocupados com as consequências de tal paralisação, o Ibraflor e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) apelaram ao Governo Federal (por meio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e aos governos estaduais para que flexibilizem as regras para o setor.
• As principais lideranças do setor também criaram um Comitê de Crise da Floricultura, instalado em Holambra, interior de São Paulo, maior polo comercializador brasileiro de flores e plantas ornamentais do país. O comitê vem realizando estudos e tem apresentado os prejuízos do setor.
• Para o Ibraflor, se o isolamento for mantido nas condições atuais, a maioria dos produtores de flores e folhagens de corte irão à falência. Eles geram 50% dos empregos do setor e participam com 30% do mercado.
• Leia mais nos links https://www.ibraflor.com.br/covide-19 e https://www.nippo.com.br/campo/especiais/especial20200326a.php. E veja no link https://www.canalrural.com.br/noticias/agricultura/coronavirus-entidade-preve-falencia-de-66-dos-produtores-de-flores/.
• De imediato, os floricultores precisam de crédito emergencial. Os pequenos agricultores, para comprar insumos e garantir a folha de pagamento de seus empregados. E os pequenos e médios distribuidores, garden centers e floriculturas, essencialmente para pagar salários. Esses empréstimos serão honrados.

Compartilhar

Deixe seu comentário