Agricultura brasileira valoriza longa relação com mundo árabe

Coluna Evaristo


- A agricultura brasileira tem raízes profundas na história do mundo árabe, o chamado Al Alam Al Arabi. Durante o longo período de presença árabe na Europa, a agricultura mediterrânica conheceu um aperfeiçoamento e uma complexificação sem precedentes.


- A civilização árabe desenvolveu uma agricultura de alto nível tecnológico em regiões áridas e semiáridas. E toda essa herança de conhecimentos agropecuários ibéricos chegou ao Brasil com o povoamento português. A influência do árabe no português e na agricultura brasileira ainda está no nome de muitos produtos agrícolas como café, açúcar, álcool, laranja, algodão, tâmara, azeitona e azeite. Medidas e dimensões de origem árabe resistem ao sistema métrico e são utilizadas até hoje no campo: alqueire, arroba, almude, resma.


- A agricultura próspera da Península Ibérica resultou da elaboração de novas técnicas pelos agrônomos árabes, com destaque para Ibn Al Awan, considerado o patrono da Agronomia e da Veterinária. Ao ultrapassar a simples acumulação de conhecimentos empíricos, forjando vários conceitos agronômicos originais e dando origem à Agronomia como ciência da observação e da experimentação.


- No Marrocos, uma revista de pesquisa agronômica análoga à Bragantia do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), chama-se Al Awamia em homenagem a Ibn Al Awan.


- Com exceção de suínos, todos os animais domésticos foram estudados por Ibn Al Awan segundo uma lógica constante: seleção, reprodução, estabulação, alimentação e aspectos sanitários. Os cavalos estão em um tomo inteiro da obra, na qual ele trata de 111 enfermidades e apresenta receitas de mais de 20 colírios. O título desse capítulo merece ser citado: “Tratamento de algumas das doenças que sobrevêm aos cavalos nas diversas partes do corpo. (…) Sintomas e diagnósticos para as doenças; remédios. Esta parte da ciência é a medicina veterinária”.


- Em 2020, neste início de século, passamos por um novo momento nessa longa história de encontro da agropecuária brasileira com o mundo árabe: A Liga Árabe tornou-se o terceiro parceiro comercial do Brasil, após os Estados Unidos e a China. Os árabes respondem por mais de 11% do saldo positivo da balança comercial brasileira.


- E não são só os produtos exportados: crescem os investimentos árabes no Brasil, assim como a cooperação na área científica e tecnológica. A Embrapa mantém diversas ações de pesquisa conjunta com países árabes, em particular com o Centro Internacional para Agricultura Biossalina (ICBA) dos Emirados Árabes Unidos.


- O papel desempenhado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (APEX Brasil), Câmara de Comércio Brasil-Líbano e Câmara de Comércio Árabe Brasileira é fundamental nesse desenvolvimento e aproximação entre empresas e empreendedores brasileiros e árabes. Tudo indica que o futuro, alicerçado num passado tão pouco conhecido quanto rico, poderá alcançar dimensões muito além das expressivas relações econômicas.

 

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