Solstício marca o tempo de celebrar as colheitas juninas

Coluna Evaristo
• O tempo do solstício de inverno, com seus dias curtos e suas noites longas está associado ao fim das colheitas, ao desfrute dos resultados do suado e árduo trabalho no campo. É tempo de aferir, conferir, pesar, contar, vender e armazenar. Apesar de grandes diferenças territoriais, num país imenso como o Brasil, em junho encerraram-se as colheitas de soja, milho, laranja, amendoim e algodão.
• Alguns dos produtos recém colhidos – como o milho e o amendoim – são a base dos pratos principais nas festas juninas, uma celebração católica, europeia e tradicional do mês de junho, desde o século IV. Inicialmente eram chamadas de festas joaninas, dado o seu vínculo com a festa de São João, o único santo católico festejado no dia de seu nascimento e não de sua morte.
• Transplantadas ao Brasil, as festas joaninas estivais, tornaram-se um acontecimento de inverno, em condições opostas às da Europa. As fogueiras ajudam a lutar contra a aparente vitória da noite sobre o dia, iluminam as trevas e aquecem os amores e os corações.
• Atualmente as festas juninas representam uma das mais expressivas manifestações culturais brasileiras, principalmente no Nordeste. Nelas são festejados três grandes santos católicos: Santo Antônio (13 de junho), São João (24 de junho) e São Pedro (29 de junho).
• Veja como as festas juninas cresceram e se tornaram eventos turísticos de grande magnitude no Nordeste no link https://cultura.culturamix.com/eventos/festa-de-sao-joao-no-nordeste.
• Nas festas juninas, a agrocultura alcança as cidades. O campo invade as zonas urbanas e nelas planta os seus arraiais: espaços sagrados semelhantes a aldeias temporárias, pois só existem durante as comemorações.
• Conheça flor-de-são-João e as aves que a apreciam no link http://www.wikiaves.com.br/wiki/flora:flor-de-sao-joao.
• Barracas de comidas e bebidas típicas, brincadeiras, jogos, dança, músicas e muita diversão marcam as festas. O arraial pode tomar o nome de quem o organiza. As crianças se vestem de caipira ou de lavrador, usam chapéus de palha e expressam um jeito estilizado de gente da roça. Pintam no rosto traços de barba e bigode. Fazem tranças e as amarram com fitas coloridas.
• A culinária das festas juninas celebra as plantas nativas e a presença da agricultura indígena. Degusta-se o milho verde, assado e cozido, a pipoca, a pamonha, o curau, o mungunzá, a canjica, o cuscuz, o bolo de fubá. Também tem lugar nas mesas a batata-doce, cozida ou assada nas brasas das fogueiras. E o doce de batata-doce, assim como o amendoim em casca, doce e salgado, ou como pé-de-moleque e paçoca.
• A homenagem a cada santo pede uma fogueira de formato diferente. A de Santo Antônio é quadrada; a de São Pedro, triangular, e a de São João, hexagonal ou heptagonal. Nessas fogueiras queimam-se coisas velhas. As pessoas dançam em volta e pulam as fogueiras, como Ioiô e Iaiá. Em algumas comunidades rurais, os mais corajosos caminham descalços sobre as brasas.

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