Consumo de frango aumenta apesar de boatos e preços em alta

No mês passado, o Brasil ampliou suas exportações de proteína animal. O aumento foi de 43% para a carne bovina, 120% para carne suína e 25% para a carne de frango.

O frango já vinha se recuperando desde 2019, quando o país voltou a abater quase 6 bilhões de cabeças no ano ou cerca de 13 milhões de toneladas. Foi o primeiro crescimento na atividade após dois anos seguidos de queda, apesar das diferenças regionais. Houve mais abates no Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Goiás, Mato Grosso e Pará, mas ocorreram quedas no Rio Grande do Sul, São Paulo, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul.

64% da carne de frango brasileira é destinada ao consumo interno e 32% ao mercado internacional. O Brasil é o maior exportador de carne de frango do mundo e as exportações deste ano já renderam 7 bilhões de dólares. Porém causaram algum desequilíbrio nos preços internos. Com a pandemia e a demanda internacional por alimento, 2020 começou com alta do dólar em relação ao real e perspectiva de queda no consumo interno. Muitos avicultores ajustaram sua produção para atender às novas demandas internacionais. No entanto, graças ao auxílio emergencial, a esperada queda no consumo interno não ocorreu e os preços subiram.

Paralelamente, também houve forte demanda internacional por grãos, sobretudo soja e milho, que entram na composição das rações de aves. Assim, mesmo com a safra recorde deste ano – 120 milhões de toneladas de soja e 100 milhões de toneladas de milho, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) – os estoques estão justos e pressionam ainda mais os preços para cima.

Com a perspectiva de fim do isolamento social, a economia começa a se recuperar e o consumo interno de carne de frango continua a aumentar, pressionando ainda mais os preços para cima. E não falta quem aproveite o momento para tirar proveito, por isso é necessário algum controle governamental para acalmar o mercado e não inflacionar a cesta básica.

Entre os compradores internacionais, ainda há reflexos da divulgação feita em agosto pelos chineses, da existência de resquícios de corona vírus em partidas de asas de frango exportadas pelo Brasil. Alguns países fecharam as portas para o nosso produto, outros usaram a notícia para forçar a baixa dos preços. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a contaminação se deu nas embalagens e não na carne de frango. A entidade divulgou uma nota do Conselho Internacional de Aves (International Poultry Council ou IPC), afirmando que não há nenhuma evidência de transmissão da Covid-19 por meio da manipulação de embalagens ou consumo de alimentos.

Desde março, no início do isolamento social no Brasil, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) já havia colocado uma publicação técnica à disposição dos produtores, intitulada “COVID-19: O que o avicultor precisa saber”.

Compartilhar

Deixe seu comentário