No Brasil, cultura da cana garante múltiplos produtos e negócios

Defensivos agrícolas

O Brasil cultiva mais de 8 milhões de hectares com cana-de-açúcar ou cerca de 1% do território nacional. Apesar de ocupar uma fração tão pequena do país, muita gente ainda fala em “monocultura” da cana. Monocultura, segundo o dicionário Houaiss, é um sistema de exploração do solo com especialização em um só produto. Popularmente, o termo designa predominância de uma cultura única, de exportação, em toda uma região ou em um país, sem benefícios para a população local. Tal conceito se opõe à bem-vista diversidade na produção agrícola de alimentos para consumo interno.

Na França, os cereais ocupam 9,5 milhões de hectares ou 15% do país, com predominância do trigo. E uma propriedade rural em cada cinco cultiva videiras. Porém não se fala em monocultura do trigo ou da videira em terras francesas. Ao contrário, a “loira cabeleira dos cereais” é exaltada e reverenciada em toda a Europa.

Confira os dados da agricultura francesa no link (em francês).

1% das terras brasileiras dedicadas aos canaviais produziu, em 2020, mais de 642 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, gerou cerca de 2,4 milhões de empregos, garantindo renda de 150 bilhões de reais ou 10% do PIB agrícola. Verifique as estimativas da Conab para a safra de cana no Brasil no link.

Como se não bastasse, nas mesmas terras é colhida a maior parte do amendoim paulista, que responde por mais de 90% do total nacional. O amendoim é plantado por terceiros na renovação dos talhões de cana, feita a cada 5 a 7 anos. A parceria entre canavieiros e pequenos produtores assegura renda extra, aumenta a fertilidade do solo e ajuda a reduzir pragas sem agroquímicos. Leia mais sobre o plantio de amendoim na renovação da cana, no link e também aqui.  

Veja as estimativas de safra de amendoim da Conab no link.

Com apenas 1% do território dedicado à cana, o Brasil é o maior produtor mundial de açúcar, com 39 milhões de toneladas produzidas em 2020. Isso atende ao mercado nacional e ainda assegura 40% do mercado mundial de açúcar.

O país também é o segundo produtor mundial de etanol. Graças apenas à mistura do etanol na gasolina desde 2003, o Brasil deixou de emitir 515 milhões de toneladas de carbono. Além disso, o etanol é responsável pela melhoria da qualidade do ar nas cidades e por garantir uma matriz de transporte com base em energia renovável não-fóssil. Saiba mais sobre o etanol e a redução de emissões de carbono no link.

O açúcar, o etanol, a bioeletricidade e o biometano estão entre principais produtos da cana-de-açúcar no Brasil. A cultura ainda gera muitos derivados e é a base de um modelo econômico de negócios agropecuários, agroindustriais e energéticos, com impactos positivos no campo e nos centros urbanos. Devido à ampla mecanização da colheita, as queimadas foram eliminadas e as áreas de preservação permanente foram ampliadas. Somadas às APPs preservadas por lei, estas áreas extras hoje servem de corredor ecológico para espécies da fauna silvestre. Leia mais sobre a biodiversidade nos canaviais no link.

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