Mercado de defensivos agrícolas no Brasil

O Brasil não é o país que mais utiliza agrotóxicos no mundo. Quem afirma isso toma como base os números absolutos de consumo de agroquímicos, mas desconsidera o tamanho do país. Como comparar o mercado de um país continental, como o Brasil, com o da Holanda, por exemplo, que tem um território 203 vezes menor?

- O Brasil é, de fato, o maior mercado mundial de defensivos agrícolas (U$ 11,5 bilhões), mas qualquer comparação quanto ao uso destes produtos deve ser feita por hectare de terra cultivada. É como faz a FAO, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, desde os anos 1960.

- E quando se considera o uso de pesticidas por hectare, o Brasil ocupa a posição 44ª entre os 245 países do mundo. Ou seja, há 43 países que consomem mais pesticidas por área agrícola do que o Brasil.

- Segundo os últimos dados da FAO, relativos a 2017, o Brasil usa 4,3 kg de agroquímicos por hectare. É uma quantidade de pesticidas muito menor do que a utilizada na Holanda, com 20,8 kg/ha (cinco vezes mais); no Japão, 17,5 kg/ha (três vezes mais); na Bélgica, 12 kg/ha; na França, 6 kg/ha, na Inglaterra, 5,8 kg/ha e assim por diante.

- Mesmo quando se considera a média histórica de 1990 a 2017, o Brasil não está entre os primeiros. Os dez países que mais utilizaram pesticidas por hectare, neste período, são, nesta ordem: o país-ilha caribenho Santa Lucia, o Japão, a República da Coreia, Israel, Taiwan, Hong Kong, a China continental, Belize, a Bélgica/Luxemburgo e a Holanda. Confira no link http://www.fao.org/faostat/en/#data/EP/visualize

- O Brasil também produz mais alimentos por quantidade de pesticidas utilizados. Sua posição mundial é a 58ª, com um índice de 0,28 kg de pesticida por tonelada de alimento produzido. Isso ilustra a grande eficiência tecnológica da agricultura nacional no uso de pesticidas. Antes do Brasil, entre os 57 países que produzem menos alimentos por unidade de pesticidas estão, por exemplo, Japão, Holanda, França, Itália, Espanha e Alemanha.

- E o Brasil ainda produz mais alimentos por dólar gasto com pesticidas. De acordo com a consultoria alemã Kleffmann, o Brasil colhe, em média, 142 quilos de alimentos a cada dólar investido em defensivos. Nos EUA, a média é de 94 kg por dólar/defensivos. Na Europa, é de apenas 51 kg/dólar/defensivos e o Japão tem o pior desempenho: 8 kg para cada dólar investido!

- Vale notar que a agricultura brasileira é praticada em ambientes tropicais e subtropicais, onde a ocorrência e a severidade das pragas são muito grandes. Em regiões temperadas, o inverno rigoroso reduz, naturalmente, a incidência de insetos, vermes e fungos e a proliferação de bactérias e vírus.

- E o cultivo de duas a três safras anuais no mesmo campo, como fazemos no país, aumenta a demanda de produtos químicos. Mas o Brasil tem optado, cada vez mais, pelo manejo integrado de pragas, doenças e adventícias. Trata-se de uma estratégia de controle baseada em múltiplos fatores físicos e biológicos, além dos químicos, em constante desenvolvimento para os diferentes ambientes brasileiros. Os bons resultados desta opção colocam a produção agrícola do Brasil entre as mais bem-sucedidas em termos de eficiência no uso de defensivos químicos e no controle sanitário de suas lavouras.

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