Nuvens de gafanhotos são naturais e ocorrem há milênios

Coluna Evaristo

• Os registros de nuvens de gafanhotos são muito antigos: ocorrem há milênios e em todos os continentes, exceto a Antártida. Existem mais de 12.000 espécies de gafanhotos conhecidas, em todo o mundo, porém menos de 30 espécies são capazes de se multiplicar aos milhões e formar nuvens, deslocando-se rapidamente com os ventos e devorando tudo o que encontram pelo caminho.
• Além dos registros na Bíblia, das pragas de gafanhotos no Egito, existem menções de exploradores, em seus relatos de viagem, sobretudo no Oriente Médio, na África subsaariana, na Austrália e nas Américas. Quando esteve por estas terras, no século XVI, o espanhol Álvar Nuñes Cabeza de Vaca também relatou ataques de gafanhotos, vitimando indígenas e causando fome na região do rio Paraguai.
• Saiba quem foi Álvar Nuñez Cabeza de Vaca no link https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81lvar_N%C3%BA%C3%B1ez_Cabeza_de_Vaca.
• As espécies capazes de se juntar – ou gregarizar, para ficar no termo técnico – são bem conhecidas dos especialistas. Com o conhecimento e os meios de combate hoje disponíveis, baseados em monitoramento constante e medidas preventivas, é possível evitar a formação de tais nuvens. A eventual desmobilização de organismos especializados no combate à praga ou a mobilização em torno de questões mais urgentes (como o Covid-19) podem atrapalhar o controle.
• Há muito a ciência já estabeleceu, verificou e confirmou: nuvens de gafanhotos resultam essencialmente de sequências favoráveis de eventos meteorológicos, intra e plurianuais, seja onde for, seja qual for a espécie.
• Antes de os gafanhotos completarem a fase gregária, porém, é possível evitar a formação de nuvens por meio do controle precoce das formas juvenis dos insetos. Na Argentina, existe um Programa Nacional dos Gafanhotos há 128 anos.
• Saiba mais no link https://www.argentina.gob.ar/industriales-produccion-primaria/langostas-y-tucuras.
• De forma complementar, o Brasil montou um esquema de monitoramento e controle, envolvendo o Ministério da Agricultura com secretarias, prefeituras e cooperativas, e está acompanhando os movimentos dos insetos, nas fronteiras do Sul do Brasil. Saiba mais nos links http://www.gafanhotos.cnpm.embrapa.br/ e https://evaristodemiranda.com.br/wp-content/uploads/2020/06/ApresentacaoResumida_gafanhoto.pdf.
• Para nuvens já formadas, existe uma ampla gama de produtos, desde hormônios até pesticidas, para controlar a praga e reduzir seu impacto. A pulverização aérea é muito eficaz em determinados casos. Esses bilhões de indivíduos não se controlam com galinhas d’Angola, patos, gansos ou golpes de vassouras, como sugerem palpiteiros de plantão.
• O conhecimento científico é fundamental, pois os métodos de combate são complexos e combinam o monitoramento dos gafanhotos, de sua reprodução, dos locais e das densidades de postura, do deslocamento de nuvens, de sua preferência por determinadas vegetações, de seu declínio ou expansão em função de novos ambientes etc.

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